Anselmo Crespo

Sub-director

Anselmo Crespo

Quem nos salva de nós próprios?

O debate dos últimos dias sobre o futuro dos órgãos de comunicação social tem um pecado original: nunca, em momento algum, se fez uma verdadeira introspeção sobre as responsabilidades que jornalistas, direções, administradores e acionistas têm no estado a que chegou este setor. Pede-se ao Governo medidas de apoio, à União Europeia que imponha regras, aos anunciantes que invistam mais. Definem-se inimigos como o Google, o Facebook ou as empresas de clipping, mendiga-se aos leitores, ouvintes e telespectadores que valorizem o produto jornalístico e que o paguem, mas nunca se olha para dentro do setor. Nunca se identificam os erros que nós próprios cometemos e que só nós, como um todo, podemos corrigir.

Anselmo Crespo

Joacine, a deslumbrada

Há fenómenos eleitorais difíceis de compreender. E que, às vezes, demoram anos a fazer sentido. Como é que os americanos puderam eleger Donald Trump? Ou os brasileiros foram capazes de pôr no Planalto uma figura como Jair Bolsonaro? Como foi possível o Brexit ter saído vencedor do referendo no Reino Unido? E André Ventura? De onde é que saíram aqueles eleitores? No caso de Joacine Katar Moreira, porém, dificilmente alguém pode manifestar surpresa pela sua eleição.

Anselmo Crespo

"Joacine Katar Moreira não está à altura do cargo de deputada"

Joacine Katar Moreira está à altura do cargo? O editor de política da TSF, Anselmo Crespo, considera que não, que a deputada não está à altura da confiança que os portugueses lhe depositaram ao elegerem-na para ter um lugar na Assembleia da República. Na opinião do editor de política da TSF, não são as sucessivas polémicas que têm atrapalhado o trabalho político, mas é a política que parece estar a atrapalhar as polémicas em que a deputada do Livre se tem envolvido. Anselmo Crespo lamenta que Joacine Katar Moreira não aproveite as oportunidades que tem para falar sobre política e mostrar as ideias e visão que tem para o país.

Anselmo Crespo

Um país próspero não é isto

Uma senhora entra com o marido num centro de saúde com uma queimadura de segundo grau na mão. Aguarda, pacientemente, a sua vez até a chamarem. O diagnóstico é simples, o tratamento também. Basta aplicar uma pomada, proteger a mão com umas ligaduras, impedir a todo o custo que a zona da queimadura apanhe água e aguardar a cicatrização. Problema? O centro de saúde não tem a pomada necessária para fazer o curativo. Acabou. E, por qualquer motivo, não foi reposta. Se quiser ser tratada, esta senhora tem que sair do centro de saúde, ir a uma farmácia, pagar quatro euros para comprar a pomada, regressar ao centro de saúde e fazer o curativo. Foi essa a sugestão que lhe fizeram e foi isso que esta senhora fez. Incrédula, mas foi isso que fez.

Anselmo Crespo

O efeito "Chicão" no CDS

Foi um fim de semana particularmente frio e chuvoso em Lamego, que contrastava claramente com as altas temperaturas que se faziam sentir no interior do pavilhão multiusos que acolhia o XXVII congresso do CDS. Lá dentro, Assunção Cristas colocava bem alta a fasquia do partido: assumia-se como o principal rosto da oposição ao Governo de António Costa, deixava subentendido o objetivo de ultrapassar o PSD e atirava-se de cabeça para uma candidatura à Câmara Municipal de Lisboa. As hostes centristas deliravam com tamanha ambição.

Anselmo Crespo

Ao cuidado de quem elegeu André Ventura

Sim, eu sei que escrever sobre o Chega e o seu líder tem sempre o risco de lhe dar ainda mais protagonismo. Sim, eu sei que, neste momento, decorrem negociações para a formação de um novo governo e que o centro-direita atravessa uma crise sem precedentes. Sim, eu sei que, politicamente, o país tem problemas gravíssimos que mereciam ser denunciados nestas linhas de texto. Mas não posso - não consigo - deixar de alertar para os riscos que a nossa democracia enfrenta com a eleição de André Ventura para a Assembleia da República. E, ao contrário do que muitos pensam, não é ignorando e muito menos normalizando os "venturas" que se faz este combate.