Paulo Baldaia

Paulo Baldaia

Ouçam e não desistam

Ouçam o barulho que se faz na rua ao final da tarde perto de uma escola. É um barulho lindo. Percebam como o novo normal é, afinal, a coisa mais normal de sempre, crianças e jovens excitados com o regresso às aulas. Mesmo os que só ontem se conheceram parecem familiares que se perderam e se reencontram, de novo na escola. Na casa comum. No sítio em que mais perto estamos de cumprir o mais eficaz combate à pobreza, aquele em que de alguma forma as aulas presenciais representam uma igualdade de oportunidades. Ouçam as crianças e os jovens a terminar um dia de escola e não desistam.

Paulo Baldaia

Deu uma volta de 360 graus

São comuns as gafes à volta dos graus que identificam as voltas que a vida que dá. A mais comum é sobre o caminho que é preciso fazer para que as coisas deixem de ser como são e passem a ser exatamente da forma contrária. Vezes demais, a vontade não corresponde ao que somos capazes de fazer e acabamos a anunciar uma volta de 360 graus, fugindo-nos a boca para a verdade. Tanta bazófia nos anúncios, acabou por nos deixar exatamente no mesmo sítio. Em estado de alerta, por causa dos incêndios.

Paulo Baldaia

Um 28 numa Europa a 27

O governo, que lançou foguetes e chamou o mestre de cerimónias para anunciar a Liga dos Campeões e usou Lisboa como exemplo para dar uma medalha de cartão aos profissionais de saúde, está entre a contingência de ter que despedir a ministra da Saúde e a calamidade de aparecer aos olhos de toda a gente, como não sabendo, afinal, o que está a fazer. Até há dois dias, não havia problema algum em Portugal e a questão de não se estar a verificar uma descida consistente de novos casos de Covid-19 na região de Lisboa explicava-se pelo número de testes que estavam a ser realizados.

Paulo Baldaia

Campeões na educação. Pode ser?

Num país em que o combate à Covid-19 nos coloca atualmente nos piores lugares do ranking europeu, depois de termos sido elogiados em vários órgãos de comunicação social do mundo inteiro pela excelência do nosso combate, o novo milagre tem um preço a pagar. É caro? É barato? Não sabemos, ninguém nos diz que cláusulas estão no contrato. A Champions será jogada em Lisboa, num formato parecido com um Europeu de clubes, e só esta insistência num centralismo que reduz um país à sua capital já representa um preço significativo.

Paulo Baldaia

A maior mentira da pandemia

Chegou a ser comovente a forma como encaramos o início da Covid-19, tratando o novo coronavirus como uma coisa democrática que não fazia distinções sociais, ameaçando de igual forma pobres e ricos. Ainda há quem pense assim, porque de facto, apanhados pelo vírus, as consequências seriam iguais para ricos e para pobres. E seria assim, se o vírus circulasse apenas por países com sistemas nacionais de saúde que acodem democraticamente a todos. Mas como sabemos, uma coisa é viver na Europa e outra bem diferente é viver na América Latina, em África e até mesmo nos Estados Unidos da América, onde o sistema de saúde se encarrega de distinguir ricos e pobres.