Raquel Vaz Pinto

Raquel Vaz Pinto

4 de Junho, Hong Kong e a Hungria de Orban

Amanhã, dia 4 de Junho, será assinalado o 32º aniversário do massacre de Tiananmen. Assim ficou conhecido aquele 4 de Junho de 1989, um símbolo de um movimento de protesto bem mais abrangente. Mas se pensarmos bem, o 4 de Junho de 1989, é também o símbolo da repressão violenta pelo Partido Comunista da China, repressão essa que está hoje bem viva e robusta com o actual líder Xi Jinping. Amanhã terei nos meus pensamentos, entre outros, o vencedor do Prémio Nobel da Paz em 2010, Liu Xiaobo, figura tão importante deste movimento, movimento esse que o mudou de forma indelével. O académico deu lugar ao dissidente e de uma forma tão intensa e avassaladora que ainda hoje ao reler as suas palavras fico sempre arrepiada. Apesar de já ter morrido a sua memória está bem viva através do seu exemplo e das suas palavras.

Raquel Vaz Pinto

Irão, a ONU e os direitos humanos das mulheres

Hoje vamos olhar para um país com uma história extraordinária e fascinante e que tem cerca de 86 milhões de habitantes, segundo o World Fact Book. Um país que tem estado nas notícias e sobretudo nos últimos tempos devido ao seu programa nuclear: o Irão. Mas a grande razão que me leva a trazer o Irão não é o seu programa nuclear que é evidentemente um tema internacional muito importante e que vamos acompanhar nos próximos tempos. É o facto de o Irão ter sido eleito para uma comissão que está englobada num chapéu-de-chuva institucional muito abrangente que dá pelo nome de Conselho Económico e Social da Organização das Nações Unidas. A comissão em destaque é a que olha, analisa, promove e defende com o objetivo de tornar mais evidentes e mais plenos os direitos humanos das mulheres.

Raquel Vaz Pinto

O Estado desumano: Xinjiang e Cabo Delgado

Esta semana a Human Rights Watch divulgou um relatório intitulado «Break Their Lineage, Break Their Roots, China"s Crimes against Humanity Targeting Uyghurs and Other Turkic Muslims». Depois de uma investigação aprofundada e cuidadosa, e que revela uma abrangência e um alcance que não deixam quaisquer dúvidas sobre o que se está a passar em Xinjiang, uma região da República Popular da China, e que é para a Human Rights Watch uma situação de «crimes contra a Humanidade. Esta fotografia desumana, desoladora e muito triste, aliás analisada no Mapa Mundo desta semana, fez-me lembrar uma região, a de Cabo Delgado. Uma região que tem vivido tempos ainda mais difíceis sobretudo com os ataques recentes levados a cabo com uma enorme violência. Cabo Delgado foi mesmo um dos primeiros temas que analisei convosco nas Manhãs da TSF. E gostava neste tema tão difícil de chamar a atenção, em particular, uma entrevista que me foi feita ao agora ex-, anterior ou antigo Bispo de Pemba, D. Luiz Fernando Lisboa. A entrevista foi publicada no jornal italiano La Repubblica, conduzida pela jornalista Raffaella Scuderi e publicada no dia 11 deste mês de Abril.

Raquel Vaz Pinto

A relação EUA-Irão: recomeço nuclear em Viena?

Nos últimos dias, por entre a desumanidade que nos chega de Cabo Delgado, a repressão implacável em Myanmar, as chuvas torrenciais em Timor-Leste, a pressão militar russa na Ucrânia, a intensidade do conflito na Etiópia, já para não falarmos na pandemia, passou um pouco por entre os pingos da chuva a reunião na passada terça-feira em Viena. Neste encontro onde estiveram vários actores internacionais o tema foi uma eventual reaproximação entre o Irão e os EUA e, mais concretamente, o dossier nuclear.