Um esforço concertado para encontrar a solução para os incêndios florestais

No passado dia 23 de julho foram vários os especialistas que se reuniram na Conferência "Gestão da Vegetação", organizada pela EDP Distribuição

A localização escolhida não poderia ser mais indicada: a Estufa Real, em Lisboa, serve como símbolo de um país que pode vir a ser uma mancha verde, bem gerida, sem incêndios. Mas para que tal se torne numa realidade, ainda existe um caminho a percorrer no sentido de melhorar as práticas de gestão da vegetação, práticas essas que estão muitas vezes condicionadas por medidas legislativas desatualizadas e que frequentemente não tomam em consideração variáveis como a morfologia do terreno ou a tão importante questão do cadastro das propriedades em zonas rurais de grandes dimensões.

Na abertura desta conferência, João Torres, Presidente do Conselho da Administração da EDP Distribuição, sublinhou a importância de debater um tema que "está na ordem do dia e é de todos", salientando que esta iniciativa parte da vontade da empresa de construir um "debate sereno, uma análise conjunta com a academia para conseguir encontrar as soluções que o país precisa."

Uma academia que esteve bem representada, nomeadamente por Francisco Castro Rego, Presidente do Observatório Técnico Independente, que traçou um retrato da atualidade da Gestão da Vegetação no nosso país, alertando que "é preciso voltar a olhar para o enquadramento legal que condiciona esta gestão, nomeadamente quando associada à rede elétrica". A análise deste especialista e do Observatório a que preside conclui que as faixas de gestão de combustíveis previstas pela atual legislação não são eficazes e podem eventualmente colocar em causa a segurança dos bombeiros durante o combate aos grandes incêndios florestais.

Tempo de Oportunidades

A dimensão e localização destas faixas foram também dois fatores destacados por José Miguel Cardoso Pereira durante a sua intervenção. O professor catedrático e membro do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia referiu a urgência de rever o conceito de rede secundária associada à rede elétrica, tendo em vista a maximização dos vastos recursos que a EDP Distribuição já comete à manutenção e gestão da vegetação. Isto porque o enquadramento legal atual muitas vezes obriga a um esforço de gestão de áreas que não são prioritárias. Este especialista propõe assim que haja uma complementaridade entre a ação da EDP Distribuição e aquela que é a Rede Primária Estruturante do ICNF, aumentando a eficácia e reduzindo os custos associados à gestão da vegetação. Uma medida simples para potenciar essa eficácia será assim a identificação do terço prioritário onde devem ser alocados os maiores esforços dessa gestão, que os estudos mais recentes da Universidade de Lisboa e do ISA indicam ser uma faixa mais a noroeste do país.

Esta necessidade de adaptação foi também expressa por Elizabete Marchante e Hélia Marchante, investigadoras do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra. Partiu de ambas um alerta para que não se caia no erro de considerar que "o verde é todo igual". Esse preconceito, dizem, pode estar na origem de vários erros na estratégia atual de gestão de combustíveis, em que os cortes de vegetação não discriminam entre espécies nativas e espécies invasoras. "Os cortes indiscriminados causam a diminuição de competição e facilitam a propagação de espécies que agravam o risco de incêndio" sublinha Elizabete Marchante. Daí que seja necessária uma gestão adaptativa, um pensamento a longo prazo que considere um plano contra as espécies invasoras em orçamentos plurianuais. "A melhor forma de perder esta guerra é virar as costas ao inimigo, e acreditar em receitas milagrosas", argumenta Hélia Marchante.

Primeiros no terreno

Depois de uma sessão de debate conjunta em que os vários especialistas trocaram impressões e responderam a questões colocadas por uma audiência numerosa, o encerramento por parte de Ângelo Sarmento, Administrador da EDP Distribuição e João Marques da Cruz, Administrador Executivo do Grupo EDP, serviu como reforço de uma ideia subjacente a esta conferência: a solução não poderá partir apenas de um dos intervenientes. À EDP Distribuição talvez recaia o peso de serem frequentemente os primeiros no terreno ao desenvolver uma infraestrutura essencial para o país, uma responsabilidade que a empresa elétrica encara de forma positiva, alicerçada na inovação tecnológica e na partilha de informação com os meios académicos. Tudo para que, embora não sendo a causa nem o meio de combate aos incêndios, a rede elétrica possa contribuir e ser parte da solução para este flagelo que tanto prejuízo - económico e humano - tem causado a Portugal.

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