Baile de Otávio e Luis Díaz na consagração do campeão

Depois de uma primeira parte equilibrada, o Porto não deu hipóteses ao Moreirense e construiu uma goleada para animar a festa do título.

Já com a liga no bolso, o início azul e branco não podia ser melhor. À esquerda, a presença de Otávio como médio interior no 4-3-3 (muitas vezes recuando para facilitar a ligação) ofereceu uma capacidade associativa superior e permitiu que Alex Telles tivesse vantagens por fora. O golo surgiu da precisão habitual no cruzamento saído do pé esquerdo do brasileiro, com Luis Díaz a marcar (igualdade numérica na área e um buraco na defesa do Moreirense).

A desvantagem madrugadora não perturbou o conjunto de Ricardo Soares, disponível e com armas para reagir. Foi sempre encontrando saídas a partir da projecção dos laterais, contou com o critério de Filipe Soares na zona central (não engana, facilmente chegará a outro patamar) e teve Pedro Nuno activo no ataque. Abdu Conté recebeu várias vezes em profundidade e, num desses lances, encontrou Fábio Abreu - movimento com classe para enganar Diogo Leite.

Com um cenário de jogo dividido, Sérgio Conceição retirou Fábio Vieira aos 38 minutos e reforçou a meia direita com Uribe. O Porto atacou mais pela esquerda, mas a troca terá sido motivada pela facilidade com que Abdu Conté estava a desequilibrar nesse corredor. Na perspectiva do técnico portista, o jovem médio não passou no exame para entrar num meio campo a três.

Marega tinha desperdiçado duas ocasiões na primeira parte, mas a capacidade de explorar a profundidade voltou a dar um golo ao Porto. Foi uma dor de cabeça constante para a - descoordenada - linha defensiva do Moreirense. Otávio marcou o 2-1 e teve participação decisiva no 3-1, isolando Luis Díaz no lance do penálti. Se dúvidas houvesse, o brasileiro demonstrou novamente que atinge outra dimensão no corredor central. Fez uma exibição do outro mundo, participando em cinco dos seis golos dos campeões e reforçando o estatuto de figura central na conquista do título.

A segunda parte foi de sentido único, com o Porto a chegar pela primeira vez aos seis golos neste campeonato. Sofrendo dois golos de rajada no início da segunda parte, a equipa de Ricardo Soares desligou-se e pagou a factura contra um adversário desinibido e confiante. Individualmente, o ponto alto terá sido o (mais do que improvável) golo de livre directo assinado por Marega. A nível colectivo, o entendimento entre Luís Díaz e Otávio deixa pistas para o futuro azul e branco. Não convém desaproveitar uma sociedade destas. Partindo da esquerda, mas aparecendo em zonas centrais, o colombiano revelou um entendimento notável com o brasileiro, com ambos a privilegiar as soluções colectivas. Bailaram no Dragão, com o Moreirense a ver.

*Comentador TSF

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