Da melhor notícia para o FC Porto à renovação ruidosa do Benfica. Silas em entrevista

Em entrevista à TSF, o antigo técnico do Sporting e internacional português acredita que a estabilidade de FC Porto e Sporting podem ser um trunfo importante na próxima temporada. O elogio ao Gil Vicente e a análise à escolha de Roger Schmidt.

Sérgio Conceição é o trunfo para o FC Porto garantir estabilidade no plantel, acredita o treinador Jorge Silas. Para o antigo técnico do Sporting, Famalicão e B-SAD, entrevistado pela TSF, a qualidade de jogo e o crescimento sustentado de vários atletas jovens dão garantias aos dragões após uma temporada histórica e de recordes.

"É sempre difícil dizer se partem ou não em vantagem. Há sempre muitas mudanças nas outras equipas, como por exemplo o Benfica, com novo treinador, provavelmente também com novos jogadores que querem mostrar nova motivação", considera. "Desconfio que o Sérgio [Conceição] vai continuar. Acredito que a continuidade do treinador pode ser o mais importante para o FC Porto. Há uma base importante", justifica Jorge Silas.

"Muitos destes jovens jogadores [Diogo Costa, Vitinha, Fábio Vieira, João Mário] já começaram a ser aposta há muito tempo, no entanto, como efetivos, como certezas, apenas este ano", sustenta o treinador de 45 anos. "Acredito que ainda podem crescer muito individualmente, mas também a nível coletivo."

Mesmo com o mercado atento aos jogadores dos dragões - o Liverpool de olho em Fábio Vieira e o Barcelona em Diogo Costa como exemplos -, Silas acredita que há espaço para os jovens dragões crescerem em Portugal. "Acho que o sonho de todos esses jogadores sempre foi pelo FC Porto e, portanto, querem continuar. Não lhes faz mal nenhum estarem mais um ano a competir como estão a competir, falo do crescimento deles como jogadores. Creio que é o passo certo. Se fosse conselheiro destes jogadores, o que lhes diria seria isso, que continuem, sem dúvida."

O Sporting de Amorim e um Benfica com um treinador que "não é assim tão diferente"

Para Jorge Silas, a temporada do Sporting só não foi melhor porque encontrou um rival num nível de exceção. "O Sporting não precisa de grandes alterações, foi uma equipa muito competitiva. O que aconteceu foi que o FC Porto foi muito forte. Os recordes que os dragões alcançaram não têm nada a ver com demérito de Sporting ou Benfica. O Sporting fez uma boa temporada. O FC Porto fez uma temporada excelente."

Jeremiah St. Juste está garantido como reforço, mas o plantel não deve ter muitas mexidas. "Todas as escolhas do Rúben foram escolhas próprias. Teve tempo para tomar essas opções. Nessa linha, creio que é o que vai continuar a acontecer", considera o antigo treinador dos leões.

Já do outro lado da Segunda Circular, o Benfica muda de direção no que à equipa principal diz respeito. "Honestamente não acho que Roger Schmidt traga uma proposta de jogo assim tão diferente daquilo que vemos hoje em Portugal. Não acho que seja uma proposta de jogo muito diferente daquela que o FC Porto tem, não acho que seja uma proposta de jogo muito diferente daquela que apresenta o Sporting. Nem que seja diferente daquela que o Benfica teve durante grande parte do tempo."

Do que viu do PSV de Schmidt - eliminado inclusive pelo Benfica no play-off da Liga dos Campeões -, Jorge Silas não acredita que o treinador alemão traga grandes novidades no que ao modelo de jogo diz respeito.

"Olhando para o futebol alemão, é um futebol muito baseado em transições, todas as equipas alemãs montam contra-ataques do nada, isso é verdade. Mas se olharmos para o FC Porto, eles fizeram uma série de golos dessa forma, recuperando bola no meio-campo ofensivo. Em Portugal era a equipa mais forte nesse momento, mas o Sporting também o faz. E o Benfica também o faz (...) O que pode acontecer tem mais a ver com os jogadores que vêm para uma vida nova, que saem da zona de conforto, mudam a ambição, a postura é diferente. As equipas precisam de se renovar."

A renovação ruidosa

Uma mudança que se exigia ponderada, no Benfica. "Há dois momentos de renovação. As equipas que se renovam quando têm sucesso - e essas nunca batem no fundo -, mas também equipas que demoram a renovar-se. Nesses casos, a renovação demora mais tempo, é mais dolorosa. Se calhar já não se muda dois ou três jogadores todas as temporadas, mas sim oito ou nove. Acho que o Benfica se deixou chegar a esse ponto. Não renovou pouco a pouco enquanto tinha sucesso. Agora tem de fazer uma renovação mais profunda, com mais ruído, uma renovação mais difícil de fazer porque são vários jogadores", explica o técnico.

O exemplo do Manchester City, com mexidas esporádicas no plantel e jogadores a sair num nível muito elevado - casos de Yaya Touré, Sérgio Agüero e David Silva - levanta até uma questão: "Estes jogadores saíram, mas não tinham condições para jogar no City? Claro que tinham. Mas o treinador sente que precisa de renovar a equipa. Penso que é a forma mais inteligente de renovar", colocando-os sempre na luta pelas provas em que estão envolvidos.

Partindo desta ideia, Silas considera que "o Benfica pode partir numa ligeira desvantagem em relação ao FC Porto e ao Sporting".

"Não posso deixar de destacar o Gil Vicente. Não só pelo quinto lugar, mas também pela forma como na grande parte dos jogos se apresentou em campo", acrescenta o treinador português ainda em relação à temporada na liga portuguesa, que agora termina.

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