Do negro da Mercedes ao vermelho vivo da Ferrari. As cores dos bastidores da F1

Entre as dez equipas da Formula 1 há cores para todos os gostos. O ambiente dos paddocks - zona restrita - mudou em tempos de pandemia. Os convidados deixaram de ter acesso direto aos bastidores, mas ainda assim podem espreitar o "circo" da F1.

Junto da box da Mercedes não há grande aparato. Os vizinhos do lado da Ferrari têm público no paddock - na zona imediatamente acima da garagem -, público que tira fotografias, selfies a apontar para a grelha de partida, curiosos que se penduram para espreitar para baixo. Acima do espaço da Mercedes há apenas alguns lugares sentados vazios, cadeiras vagas. Tudo parece sereno, até mesmo junto aos computadores de comando onde se sentam cinco engenheiros da equipa.

Logo ali ao lado, mesmo em frente à box, duas placas indicam a paragem para os pilotos. "VB" em cinzento e negro para Valtteri Bottas, o finlandês, e "Lewis" num verde fluorescente que se vê a largos metros, para Lewis Hamilton, o campeão do mundo. São os dois carros negros da Mercedes que discutem mais um título, afastados da concorrência, embora Hamilton tenha uma vantagem ainda larga para o companheiro de equipa na geral.

Hamilton comemora a pole position sem grande euforia. Cumpriu no Algarve a 97.ª vitória na qualificação nas provas da F1. Sorri para a bancada, levanta os braços, até porque há por lá duas bandeiras de Inglaterra, a ele dirigidas: é público de pé, gente que veio para o ver em Portimão. Volta depois para a box, sem alarido. Bem diferente foi a postura em pista, minutos antes.

No duelo com Valtteri Bottas, um duelo entre Mercedes, Hamilton voltou a levar a melhor. "I had to dig, dig, dig", explica - escavar, numa tradução literal, forçar, procurar - sobre o que aconteceu no minuto final da fase 3 da qualificação. Valtteri Bottas fez uma marca melhor que a de Hamilton ao cair do pano, numa altura em que o relógio já estava a zeros, mas quando Hamilton ainda estava no início da sua derradeira volta. O resultado foi a vitória de Hamilton, que guardou para o final os trunfos e ainda retirou tempo à marca de Bottas.

Hamilton no rádio da Ferrari

Para a Ferrari, a qualificação teve um sabor agridoce. Sebastian Vettel voltou a sentir dificuldades e não conseguiu um lugar entre os dez primeiros na grelha de partida. Ainda nos treinos livres teve um momento curioso quando, pelo rádio da equipa Ferrari, ouviu a voz de Hamilton. "Ouço uma voz, algo aconteceu", dizia a meio de uma volta o antigo campeão do mundo. Era a voz de Hamilton, esclareceu momentos depois, numa publicação nas redes sociais, a organização da F1. De alguma forma, o campeão do mundo entrou na frequência da Ferrari.

"Capisce", alguém anuncia do outro lado. Problema resolvido.

Já para Charles LeClerc, a tarde de sábado anuncia uma possibilidade de luta pela corrida no Grande Prémio de Portugal. O quarto lugar na grelha de partida - atrás dos pilotos da Mercedes e do Red Bull de Max Verstappen - significa uma hipótese real.

"Penso que esta é uma prova que pode garantir mais oportunidades para assumir uma posição este fim de semana. Vamos para o desconhecido. As equipas não conhecem esta pista", disse à TSF ainda antes dos treinos livres, à margem do grande prémio.

"Para mim o maior desafio são as curvas cegas, Será difícil encontrar o ritmo, pensando que estamos a falar de carros de Fórmula 1. O segredo está aí, em encontrar o ritmo", explica Vettel. E não tem sido fácil à Ferrari encontrar o ritmo nesta temporada.

O paddock

As cores garridas da Ferrari contrastam com a sobriedade da Mercedes. Os italianos têm a box do lado dos alemães. A zona do paddock é composta ainda por uma infraestrutura em forma de tubo, lugar dos engenheiros. Atrás desta, no centro do circuito de Portimão, fica um luminoso edifício - que nem parece desmontável - com aspeto de casa de verão. Ao fim da tarde sentam-se por ali responsáveis da equipa, no primeiro andar.

Espreitamos o piso superior do paddock, por cima da garagem. É ali que a Ferrari recebe os convidados, os patrocinadores. Entre as atividades para quem assiste dali às corridas está a possibilidade de visitar os bastidores da equipa. Não fosse a pandemia, essa visita seria feita no local, no piso inferior, mas devido ao sistema de segurança e de "bolha" para com as equipas, as visitas são virtuais.

Num enorme ecrã é possível acompanhar o trajeto mostrado por um antigo piloto de testes da Ferrari, Marc Gene. Começa pela sala dos pneus - ali mesmo por baixo do ecrã onde se assiste à transmissão - onde estão empilhados, em duas filas, 18 pneus de cada lado, com a famosa marca Pirelli, que "calça" todos os automóveis da F1.

Logo depois, a uma porta de distância, o carro. Está parado na garagem, suspenso para que os mecânicos possam nele trabalhar. Este espaço é visível do exterior, da bancada que fica junto à grelha de partida. Ao lado do carro há painéis de informação: durante a corrida dão aos engenheiros e aos pilotos informação sobre a resposta do carro e da condução. Outro aparelho, semelhante a uma caixa multibanco, com um ecrã mais pequeno, garante aos mecânicos informações sobre ajustes a fazer no carro.

Afastada do olhar dos espetadores está a sala de controlo da resposta do combustível. A marca que serve a Ferrari tem ali os seus engenheiros, numa sala de luz verde fluorescente, um estúdio que parece um espaço de revelação de fotografias. Marc Gene explica que a informação dos engenheiros que tratam do combustível é passada em tempo real para a restante equipa, para quem controla toda a informação sobre carro, resposta do piloto, rádio ou resposta mecânica.

Deitados no simulador

Fechada a visita - virtual em tempos de pandemia - há ainda para descobrir os simuladores. Esta é a oportunidade mais próxima da experiência de condução para o público da Fórmula 1. Luca Boutillon, jovem que conduz os visitantes nesta experiência, explica que grande parte da temporada dos pilotos é passada nestes volantes virtuais. Os comandos são iguais aos do Fórmula 1: a posição do corpo e os pedais também são iguais. O programa desenhado para o efeito reproduz ao milímetro as provas, os circuitos.

"Vamos às coisas básicas. É necessário virar a direção de forma correta. Logo atrás do volante estão dois botões, uma à esquerda outro à direita. O da esquerda baixa a mudança enquanto o da direita sobe a caixa de velocidades", explica Luca Boutillon. Os pedais são semelhantes aos de um veículo normal, embora a resistência do travão seja bem distinta.

Há, no entanto, um grande número de botões no volante, pequenas afinações que possibilitam ao piloto ter várias soluções para diferentes contextos. No caso da Ferrari, o volante pode ainda variar numa versão para destros e uma outra para canhotos, como acontece atualmente com a dupla LeClerc/Vettel.

Já o corpo do piloto segue quase deitado. Os pés estão praticamente à altura dos ombros, elevados. "O mais difícil é andar depressa", explica Luca Boutillon: "Vamos numa posição em que parece que estamos deitados numa cama." Este simulador do paddock da Ferrari não tem o circuito de Portimão, apenas os simuladores dos pilotos têm este circuito. "Talvez no próximo ano", explica o anfitrião.

*A TSF viaja a convite da Mission Winnow, uma iniciativa da Philip Morris International e principal parceiro da Scuderia Ferrari.

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