"Foi uma ultrapassagem suicida." As críticas de Miguel Oliveira ao piloto que o derrubou

"Há qualquer coisa que não está a correr bem dentro da cabeça dele", acusou o piloto português que foi abalroado por Johann Zarco este domingo.

O piloto Miguel Oliveira (KTM) considerou este domingo que perdeu "uma oportunidade de voltar a terminar no top-10" numa prova no Mundial de MotoGP, o Grande Prémio da Grã-Bretanha, mas que "terminou cedo demais".

Oliveira seguia na 12.ª posição quando o francês Johann Zarco (KTM) tentou uma ultrapassagem impossível por dentro da curva 14 do circuito de Silverstone, provocando a queda dos dois pilotos.

"Foi desapontante. Não há muito mais a dizer", disse o português, citado pela assessoria de imprensa da Tech3, a equipa na qual alinha o piloto de Almada.

"Estava a sentir-me confiante com a mota, era uma oportunidade real de voltar a terminar no top-10, mas, infelizmente, terminou cedo demais. Agora, aguardo ansiosamente que venha a próxima prova", disse ainda Miguel Oliveira.

O português ficou surpreendido por ter sido abalroado precisamente por um dos colegas da KTM.

"Foi um desfecho triste. Quando percebi que tinha sido o Zarco a tocar-me fiquei muito surpreendido. Sobretudo, por ser um dos colegas com os quais partilho a mesma marca. Dá para perceber que, claramente, há qualquer coisa que não está a correr bem dentro da cabeça dele. Foi fazer uma tentativa de ultrapassagem daquelas que são completamente suicidas e o desfecho não podia ser outro que não este", desabafou o piloto português.

Miguel Oliveira não teve "consequências físicas" do incidente, mas ficou com "um sabor agridoce, porque este fim de semana sabia que tinha condições para terminar dentro do top-10 outra vez". "Iriam ser muitos pontos e foi uma oportunidade que perdemos de pontuar", vincou.

"Como positivo, fica o facto de me sentir cada vez melhor com esta nova KTM, com mais velocidade. Há coisas que não podemos controlar e esta é uma delas. Claro que não fico satisfeito mas não há nada que possa fazer. A única coisa que está nas minhas mãos é começar a pensar na próxima corrida em Misano. Esta semana temos lá um teste importante, na quinta e sexta-feira. Por isso, temos muito pouco tempo para pensar e refletir no que aconteceu", disse ainda o português.

Miguel Oliveira admitiu que Zarco foi "à boxe pedir desculpa". "Eu aceitei, a minha equipa ainda está um bocado chateada, mais do que eu, o que é compreensível. Mas há que virar a página e seguir em frente", concluiu.

Já o dono da Tech3, o francês Hervé Poncharal, disse que "isto não deve acontecer entre pilotos experientes, sobretudo representando a mesma marca".

"Ainda era muito cedo [nona volta] e estava tudo sob controlo, com o Miguel a tentar poupar os pneus, pois o objetivo era terminar entre os dez primeiros. A corrida é fruto de longas horas de trabalho e vê-la terminar assim é uma pena", disse ainda.

Poncharal admitiu, contudo, que o piloto francês, que correu pela Tech3 em 2018, se desculpou.

"Veio pedir desculpas ao Miguel e a mim, mas é difícil de digerir", sublinhou o responsável da equipa.

Com esta desistência, que acontece 34 provas depois da última, em setembro de 2017, Miguel Oliveira perdeu duas posições no Campeonato do Mundo de MotoGP, baixando de 15.º a 17.º, com 26 pontos.

A próxima prova é o GP de São Marino, a 15 de setembro.

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