Libertadores, balneário do Flamengo e seleção. As dúvidas e certezas de Jesus

A Confederação sul-americana de futebol não sabe quando vai retomar a Taça Libertadores. Se a competição for cancelada, o futuro de Jorge Jesus pode mudar, considera o antigo adjunto Jorge Amaral. Carlos Padrão, amigo de Jesus, não concorda.

Por causa de Jesus e da dúvida quanto à realização da Libertadores, Vieira queria congelar a contratação do novo técnico, mantendo Nelson Veríssimo à frente da equipa até terminar a época. Mas, segundo o amigo do treinador Carlos Padrão é um sonho praticamente impossível para os encarnados.

Ao que a TSF apurou, Jorge Jesus continua a ser a prioridade para Luís Filipe Vieira e o presidente do Benfica fez mesmo um convite concreto ao treinador. Jorge Jesus não aceitou rescindir com o Flamengo, para não virar costas ao clube brasileiro com quem renovou contrato recentemente. O balneário do Flamengo, os jogadores que renovaram contrato, o ambiente em torno do clube ainda em festa pelas conquistas recentes, fazem Jorge Jesus não querer deixar o Rio de Janeiro. Não sem antes fazer aquilo que ainda não conseguiu: vencer o Mundial de Clubes - e, pelo caminho, vencer a Taça do Rio e a Taça do Brasil.

Amigo do treinador, Carlos Padrão revela que não acredita no regresso a Portugal do técnico antes do mês de dezembro, mesmo que a Copa Libertadores desta temporada seja cancelada. Carlos Padrão revela que, na última conversa por telefone que teve com o treinador, Jorge Jesus não se mostrou muito disposto a aceitar regressar já a Portugal.

"O Jorge [Jesus] percebeu a dimensão daquilo que lhe aconteceu, mas também de um balneário, de um povo, de um país como são os do Flamengo. Penso que, com ou sem Libertadores, muito dificilmente Jorge Jesus virá para Portugal até janeiro", afirma.

A seleção brasileira, a Libertadores e o presidente do Benfica

"Perguntei-lhe se sabia quantos treinadores tinha tido o Real Madrid, o Bayern de Munique, o Barcelona. Ele disse-me que não percebeu a minha pergunta. Disse-lhe então que tenho a forte convicção que o Jorge [Jesus] vai fazer história e ser o primeiro treinador estrangeiro a orientar a seleção brasileira, aquilo que qualquer treinador de futebol deixaria para fazer. Penso que o Jorge está muito perto que isso venha a acontecer." Por este motivo, Carlos Padrão garante que aconselhou Jesus a ficar no Brasil.

"Neste momento, Portugal é demasiado pequeno para aquilo que o Jorge Jesus, enquanto treinador de futebol, se tornou. Portugal é pequeno, que me perdoem os portugueses e os adeptos de futebol em Portugal (...). Foi isso que eu lhe disse", revela Carlos Padrão.

Antigo jogador de futebol e treinador, Padrão confessa ainda que não partilha da admiração do amigo pelo presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira. "Pessoalmente, não tenho nenhum de simpatia pelo presidente do Benfica. Não gosto, não concordo com o modus operandi dele. Por isso, evito falar disso com Jorge Jesus. Simplesmente, eu não falo do assunto com ele."

Antigo adjunto recorda a situação no Brasil, que pode aproximar o técnico

Ao contrário de Carlos Padrão, o antigo adjunto de Jorge Jesus, Jorge Amaral, acredita que a não realização da Taça Libertadores esta temporada pode ter um peso determinante no futuro de Jorge Jesus. Mesmo tendo recentemente assinado um novo contrato válido com os campeões brasileiros, a situação económica e social no Brasil e na América do Sul fazem antever dificuldades para o cumprir de uma época que Jesus esperava que fosse histórica para o Flamengo.

"O que eu sei é que se, eventualmente, a Libertadores não seguir em frente - e, a partir daí, não há Campeonato do Mundo de Clubes -, Jorge Jesus não vai ficar no Brasil para jogar o Brasileirão. E aí, sim, aquele renovar de votos entre Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus pode acontecer", considera Jorge Amaral.

A Confederação sul-americana de futebol (CONMEBOL) já admitiu que a Taça Libertadores só avança com "garantias máximas" de segurança.

"O problema mais difícil com o qual estamos confrontados são as deslocações das equipas e os aeroportos. Trabalhamos com os governos. Não vamos colocar a vida das pessoas em risco", disse no início de junho Gonzalo Belloso, diretor de operações da CONMEBOL.

A competição foi suspensa em março, ainda antes da terceira jornada da fase de grupos. A final desta temporada está marcada para o Maracanã, o estádio do Flamengo, onde Jorge Jesus esperava renovar o título de campeão continental.

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