Mão cheia no Dragão e o título ali tão perto

Sérgio Conceição recusou-se a celebrar antecipadamente, como manda a regra do bom senso, mas a vitória gorda dos azuis e brancos permite começar a preencher o formulário para encomendar as faixas de campeão.

A goleada portista frente ao Belenenses SAD construiu-se maioritariamente na segunda parte (quatro dos cinco golos nesse período). Foi um Porto mais eficaz do que brilhante, chegando ao 5-0 com apenas sete remates à baliza contrária, mas sai com todos os motivos para sorrir: venceu confortavelmente e viu o promissor Fábio Vieira estrear-se a marcar na equipa principal.

No primeiro tempo, a única vez em que o Porto tentou entrar pelo corredor central - Mbemba a rasgar com o passe - deu o golo anulado. De resto, e sem surpresa, a equipa de Sérgio Conceição privilegiou o jogo exterior, envolvendo os laterais, e os lançamentos em profundidade à procura dos movimentos de Marega e Soares. Houve mesmo um episódio insólito, com um "penálti" cometido pelo brasileiro num lance em que o maliano ficaria isolado. Uma consequência da incessante busca pelas costas da defesa contrária.

Num dos inúmeros cruzamentos que os azuis e brancos fizeram na etapa inicial, Soares aproveitou a desorganização da linha defensiva e cabeceou à vontade. Até então, e mesmo com um 11 menos habitual, o Belenenses SAD conseguiu equilibrar o duelo. Não correu muitos riscos a construir, procurando o jogo directo para Keita (um mundo de diferença para Cassierra) ou a profundidade dos alas (Rúben Lima foi um dos destaques positivos).

Ao intervalo, o Porto valia-se da alta eficácia na concretização para contornar a falta de capacidade criativa (apenas dois remates à baliza), mas a segunda parte foi bastante diferente para o conjunto da casa. Não sofreu defensivamente, fechou o jogo cedo e pôde aumentar a vantagem.

Não é raro vermos Sérgio Oliveira levantar a cabeça, analisar as opções que tem e perceber que ninguém se mostra para uma ligação por dentro. Fugindo ao guião, Corona apareceu atrás dos médios do Belenenses SAD - num espaço em que, cada vez mais, demonstra que pode fazer a diferença em condução e no último passe - e deixou Marega na cara do golo. Nem estava a ser a exibição mais inspirada do mexicano, mas há que contar sempre com o talento de uma das figuras da liga.

Sem capacidade de reacção à desvantagem, o Belenenses SAD apenas ameaçou a baliza de Marchesín no lance do remate ao poste, já com 3-0 no marcador. Com o encontro resolvido, Fábio Vieira e Luis Díaz (letal quando encontra espaço para correr) foram os responsáveis por dar outro tom à exibição portista. Ambos marcaram e quiseram aproveitar os minutos da melhor forma. O português tem muitas semelhanças em termos de perfil com Bruno Fernandes, pela capacidade de marcar e assistir. Além da vitória, este jogo poderá ficar na lembrança por trazer o primeiro golo do menino no Dragão.

*Comentador TSF.

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