O histórico português na Liga Europa

Completa, esta temporada, onze épocas que a UEFA alterou o formato da Taça UEFA e, com ela, também a (nova) designação: Liga Europa. Foi, então, a segunda alteração que o máximo organismo que superintende o futebol europeu protagonizou, desde a criação, em 1955, da Taça das Cidades com Feiras. Tal como aconteceu em 2009/10, também em 1971 foi alterado o formato e o nome.

A Liga Europa, ao contrário da Taça UEFA, passou a basear-se num modelo similar à Liga dos Campeões: com fase de grupos e posteriores eliminatórias, ao contrário do que sucedia com a Taça UEFA, um modelo baseado em consecutivas eliminatórias.

Numa altura em que já se demarcavam bem as diferenças entre clubes ricos e pobres, a segunda maior competição da UEFA acabou por dar, per si, relevo isso mesmo, começando logo pela abismal diferença de prémios a atribuir numa (Liga dos Campeões) e noutra competição (Liga Europa).

Numa clara segunda linha europeia no que respeita a posses económicas, os clubes portugueses acabaram por sobressair numa competição que acabou por marcar bem essa linha que separa um mundo (Liga dos Campeões) do outro. E os lusos acabaram por aproveitar esse espaço de forma sublime, sobressaindo-se as várias competências do ponto de vista da amplitude de valências inerentes a um clube de futebol.

Numa espécie de segunda linha do futebol europeu, o Atlético de Madrid (nessa altura um clube menos capacitado a todos os níveis do que atualmente), abriu o lote restrito de vencedores desta competição, com o Benfica, nesse mesmo ano, a ter marcado presença nos quartos-de-final, eliminado pelo todo-poderoso Liverpool.

A temporada seguinte, 2010/11, ficou marcada por um domínio assinalável e absolutamente inédito de clubes lusitanos na competição. Uma final 100% lusitana, com o FC Porto a ter defrontado o SC Braga, no momento de maior relevo da história do clube minhoto. Na final, em Dublin, os portistas acabaram por impor a lei do mais forte por intermédio do tento solitário de Radamel Falcão, mas o marco inédito perdurara para a eternidade. O futebol português ficou altamente valorizado, ainda mais porque a semifinal havia ficado marcada pela presença de três.

O Benfica, na altura treinado por Jorge Jesus, acabou por cair diante do Braga, o que originou essa tal final nortenha.

Acabou o FC Porto por ter-se tornado, nessa segunda edição, o único vencedor luso da Liga Europa, ainda que o brilhante palmarés lusitano na competição não se tenha ficado por aí.

Em 2011/12, o Sporting CP atingiu as meias-finais, só superado pelo Athletic Club de Bilbao, que acabou por ser batido na final pelos compatriotas do Atlético de Madrid, o que permitiu aos colchoneros fazerem o «bi» na competição em apenas três edições disputadas.

Num ritmo tão extraordinário quanto imparável, foi a vez do SL Benfica atingir a final por duas vezes consecutivas (em 2012/13 e 2013/14). Ingloriamente, porém, perdidas para, respetivamente, Chelsea e Sevilha, clube espanhol que acaba por ser o rei da competição juntamente com o Atlético de Madrid (vencedores em três ocasiões cada uma).

As águias, tal como FC Porto, SC Braga e Sporting CP, acabaram por, uma vez mais, (e)levar o nome de Portugal além-fronteiras, tendo 2013/14 marcado a última ida de um clube do país de Camões à final da segunda maior competição europeia de clubes.

Desde aí, aliás, registou-se uma seca no que concerne ao aparecimento em grandes palcos. Não mais, pelo menos até ora, nenhum conseguiu atingir a semifinal, com apenas SC Braga (em 2015/16), Sporting CP (em 2017/18) e SL Benfica (na temporada transata) a terem atingido os «quartos».

Esta época, contudo, o verde da esperança da bandeira nacional poderá ser evocado, com a presença na prestes a iniciar fase a eliminar de nada mais nada menos do que quatro equipas: SL Benfica, FC Porto, Sporting CP e SC Braga. Os encarnados caíram da Champions League, «substituindo» o outro representante da fase de grupos, o Vitória Sport Clube, que protagonizou campanha entusiasmante, não obstante o último lugar do Grupo F, tendo batalhado olhos nos olhos com equipas como Arsenal e Eintracht Frankfurt. Os vimaranenses conseguiram mesmo pontuar em metade dos jogos efetuados, tendo, dessa forma, ficado um certo amargo de boca. Contribuíram, porém, para o ranking português, que esta temporada conseguiu escalar uma posição e ultrapassar a Rússia.

Um quarteto que só não é inédito porque em 2010/11 se registou a mesma situação (e, curiosamente, com as mesmas equipas), o que acaba por enfatizar o que foi supracitado: o do claro posicionamento português na segunda linha europeia do futebol, sendo este o único espaço competitivo em que os lusitanos poderão exibir os seus predicados na passadeira futebolística do Velho Continente.

Sobre se até nesta competição os clubes portugueses estarão (também) a perder o seu espaço competitivo, só os próximos tempos o dirão, sendo que a tendência é de queda, como, aliás, regista a cronologia da história. Há uma primeira meia década de Liga Europa áurea e outra claramente sombria...

André Rodrigues (A Economia do Golo)*

Esta rubrica é uma parceria TSF e A Economia do Golo

* O autor opta por escrever ao abrigo do anterior acordo ortográfico.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de