O resultado do costume num clássico frenético... 'ganho' pelo Benfica

O primeiro clássico da temporada foi muito quente, com a agressividade nos limites e os nervos à flor da pele, levando a que o árbitro Nuno Almeida mostrasse 11 cartões amarelos e um vermelho, num jogo com 41 faltas. No fim, o resultado foi o do costume no histórico recente das receções do Sporting ao Porto na Liga: sétimo empate nos últimos 11 encontros. O Benfica agradece.

O Sporting foi melhor na primeira parte; o Porto superiorizou-se na segunda. Muito se vai ouvir nos próximos dias que este foi "um jogo com duas partes distintas" e, como é verdade, sigamos o cliché. Este jogo provou que Rubén Amorim é especialista a preparar os jogos, mas não se caracteriza pela sagacidade no decorrer das partidas. Já Sérgio Conceição destaca-se pela sua capacidade de leitura de jogo e de mexer a partir do banco, mas erra muitas vezes na abordagem inicial. Também por isso, o jogo na primeira parte mostrou um Porto desconfortável num 4-2-3-1 pouco habitual, em que a linha de três jogadores atrás de Taremi pressionava muito alto mas deixava um enorme espaço relativamente à dupla de meio-campo.

Aquilo que poderia parecer um sistema tático mais cauteloso - sem um segundo avançado, Toni Martinez - acabou por ser acima de tudo desequilibrado. E ainda por cima perante a equipa mais inteligente, mais organizada e mais "cínica" do futebol português, o Sporting, que já agora merece também ser considerada atualmente a melhor equipa portuguesa em termos de processos coletivos. Resta saber se tem plantel suficiente para aguentar uma época desgastante, com Liga dos Campeões e tudo. Para ser muito melhor na primeira parte, a equipa de Amorim apenas teve que ser igual a si própria: consistente e coesa, especialista na exploração da profundidade e, principalmente, da largura ofensiva, conferida pelos alas, Porro e Vinagre. Além disso, os dragões perdiam muitas bolas na zona central do meio-campo permitindo aos leões jogar como preferem: em ataque rápido, através do qual criaram diversas situações perigosas para a área contrária.

Não surpreende, portanto, que nos primeiros 45 minutos a equipa da casa tenha desfrutado de três ocasiões claras para marcar, todas protagonizadas por Nuno Santos. Depois do golo obtido pelo Sporting na sua primeira ocasião (aos 16 minutos), após excelente cruzamento de Porro (o melhor do Sporting nesta partida), valeu ao Porto a exibição de Diogo Costa, que negou a Santos dois golos certos até ao intervalo. Pelo seu lado, o Porto cedeu emocionalmente devido ao golo do Sporting e a ter desperdiçado, logo a seguir, uma clara oportunidade de marcar, numa cabeçada pouco calibrada de Corona.

A partir dos 20 minutos, equipa perdeu o norte em termos emocionais, partindo-se ainda mais taticamente e dando cada vez mais espaço aos ataques rápidos dos leões. Foi então necessário que Sérgio Conceição se redimisse, usando a tal capacidade de ler o jogo de jogo que lhe é característica: tirou os "amarelados" Marcano e Bruno Costa, fazendo entrar Manafá e Sérgio Oliveira. Ainda assim os portistas acabaram a primeira parte em sofrimento, demonstrando uma desorganização coletiva pouco normal na equipa, e com apenas um remate realizado em 45 minutos, contra cinco do Sporting.

Porto reencontra o norte nas asas de Diaz

Na segunda parte tudo foi bem diferente. O Porto reorganizou-se - confirmando que sem equilíbrio defensivo não há competitividade nem capacidade ofensiva. Desta forma, deixou de sofrer com as saídas rápidas do Sporting e passou a ter mais posse de bola (chegou ao fim com 54% do total), principalmente a partir do momento em que voltou ao seu habitual 4-4-2, com a entrada de Toni Martinez. Mesmo sem criar situações claras de golo, o Porto foi quase sempre melhor na etapa complementar, perante um Sporting que se acomodou à vantagem tangencial. Os leões acreditaram que a sua consistência defensiva (a par da incapacidade portista de criar real perigo) chegaria para guardar a vitória, mas não contaram com a genialidade de Luiz Diaz. O colombiano que, conjuntamente com o seu compatriota Uribe, se juntou à equipa já em Lisboa - tendo jogado pela sua seleção na madrugada de quinta para sexta-feira - praticamente inventou o golo do empate, numa das duas habituais incursões da esquerda para o meio, culminada com um remate imparável em arco.

Estávamos no minuto 71 e o Porto marcava no seu segundo remate e na primeira vez em que acertava no alvo. Um golo que fez abanar o Sporting, incapaz de recuperar o comando da partida e sem banco para mexer no jogo. Daqui até ao final da partida, pouco mais se viu digno de admiração, sem que se registassem verdadeiras ocasiões de golo. Acentuaram-se os conflitos entre os jogadores, voltaram a chover cartões amarelos e até um vermelho, para Toni Martinez, que viu dois amarelos em dois minutos.

Feitas as contas, o Sporting só pode queixar-se de si próprio por não ter conseguido os três pontos num jogo em que dispôs de mais ocasiões para marcar. Os de Alvalade foram mais equipa, mostraram mais qualidade coletiva, mas acabaram traídos pela superior qualidade individual portista, personificada no jogo de hoje em Luiz Diaz, o homem do momento do jogo - o seu golo - e Diogo Costa, o melhor em campo graças a três defesas decisivas.

No fim, riu o Benfica, grande vencedor deste clássico, que passou a ter quatro pontos de vantagem sobre os rivais.

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