Pedro Gonçalves, o "Pote" que roubou o ouro ao Porto

O campeonato voltou e, com ele, a confirmação, a nível individual, de uma das suas mais belas surpresas, até ao passado mês de março.

Em Famalicão, que ontem abateu um Dragão a sonhar com o título, mora um médio com vistas para altas andanças e grandes cavalgadas!

Poder-se-ia fazer um trocadilho com a alcunha que traz de infância, altura em que a sua avó o chamava de "Potinho", ao ponto de crescer e de transformar em Pote. Um nome de guerra, que permite dizer que dos seus pés sai um "pote" de bom futebol... que desse "pote" transbordam as qualidades de um médio multi-tasking, como se apraz dizer, e que fazem de Pedro Gonçalves uma das mais excitantes descobertas desta liga que irá viver agora a sua segunda parte, após um interregno de três meses.

Transmontano, natural de Vidago, herdou dos que "para lá do Marão estão", a vontade de correr o campo todo, de colocar a alma e a garra em todos os lances, numa demonstração de vitalidade acima da média. Quem poderá esquecer a jogatana na Luz, no jogo a contar para as meias-finais da Taça de Portugal, em que no final da contenda ainda fazia sprints de 40 metros, ou saía a driblar como se o jogo ainda estivesse no início?

Porém, o seu percurso, antes de Famalicão, onde explode, passou por Chaves, Braga, Valência e Wolves. Três clubes onde foi queimando os escalões de formação e limando arestas que poderiam existir. Sempre um processo ascendente, em que procurou do meio-campo, da sala de máquinas onde a equipa desencadeia o seu trabalhar, controlar todo o processo de construção ofensivo, sem todavia descurar o "trabalho sujo" de luta na zona medular, quando o mesmo a isso obriga.

Assim, seja a recuar para organizar jogo em primeira fase de construção, seja a procurar posições onde possa desequilibrar (que o diga ontem, Marchesin), assume a modernidade dos tempos. Longe vão os anos em que os médios tinham raios de ação e funções segmentadas, não podendo ousar a transgressão... não podendo mirar longe o êxito, a baliza adversária, fruto do tiro... Aliás, os sete golos apontados com a camisola famalicense, demonstram o que dizemos. Acabou-se o futebol estanque, numa verdadeira apologia do antigo chavão de "flexibilidade e polivalência", privilegiando-se a capacidade de fazer tudo o que o jogo pede.

Aos 21 anos, isso é ter "futebol a potes" e o futuro na ponta das botas...

*Economia do Golo

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