66 mil dólares. Bitcoin atinge máximo histórico

Este é um assinalável regresso às cotações elevadas, depois de, durante o verão, ter caído abaixo dos 30 mil dólares.

A cotação da moeda digital bitcoin atingiu esta terça-feira um máximo histórico, ultrapassando os 66 mil dólares, em contexto de entusiamo com a forma como o meio financeiro está a aceitar a apreciação da cripto moeda.

Este é um assinalável regresso às cotações elevadas, depois de, durante o verão, ter caído abaixo dos 30 mil dólares, do máximo estabelecido então em abril, nos 64.889 dólares, segundo a CoinDesk.

A apreciação deste ativo digital resulta de haver mais empresas e investidores profissionais, e até o governo de El Salvador, a comprarem bitcoin, alargando a sua base além do núcleo inicial de fanáticos.

Os convertidos mais recentes chegaram ao mundo das moedas digitais na terça-feira, quando foi lançado na praça nova-iorquina o primeiro fundo indexado (ETF, na sigla em Inglês) à bitcoin, com transações elevadas, o que se repetiu hoje nas primeiras três horas da sessão.

Este ETF não investe diretamente na bitcoin. As suas aplicações são feitas no mercado de futuros, mas o setor vê o ETF como algo que está a trazer uma nova classe de investidores.

Um investidor com uma conta clássica aberta junto de um corretor ('broker') pode comprar o ETF sem ter de abrir uma conta para transacionar moedas digitais.

Os investidores estão com um interesse acrescido na bitcoin, à medida que procuram ativos cujos preços evoluam de forma independente de tido o mais que possuam nas respetivas carteiras de investimento.

Uma escola de pensamento defende que a bitcoin pode oferecer aos investidores proteção contra a inflação elevada, com alguns a vê-la mesmo como 'ouro digital', apesar da falta de um registo longo que suporte esta leitura.

Outros entusiastas consideram que os ativos digitais são o futuro das finanças, ao permitirem a exclusão dos intermediários e a redução de custos, com uma moda que não pertence a qualquer governo.

As moedas digitais estão longe de convencer toda a gente.

Os críticos apontam, desde logo, a falta de generalização na sua utilização como meio de pagamento. Salientam também a quantidade elevada de energia que é usada neste sistema de ativos digitais, o que agrava as emissões de gases com efeito de estufa prejudiciais para o ambiente.

Mas a maior ameaça vem do escrutínio dos reguladores.

No mês passado, por exemplo, a China declarou as transações em bitcoins ilegais.

Nos EUA, os reguladores não foram tão longe, mas o presidente da entidade reguladora do mercado de capitais (SEC, na sigla em Inglês) já disse que os investidores não têm proteção suficiente no mundo das cripto.

Estas moedas digitais são também conhecidas pelas fortes variações nos preços. Aquele mencionado recorde de abril foi seguido de uma desvalorização de metade, em três meses.

A grande razão para esta volatilidade é a grande amplitude das possibilidades em termos de futuro da bitcoin, apontou Gil Luria, estratega de tecnologia na D.A. Davidson.

Por um lado, a cotação da bitcoin pode dirigir-se para zero, se acabar por se revelar uma mania ou se outra moda digital a suplantar.

Por outro, pode usurpar o papel do dólar dos EUA e de outras moedas e tornar-se "todo o dinheiro".

A posição maioritária está algures no meio, considerando que a bitcoin pode ser útil e ter algum valor.

Luria disse que atribui apenas uma probabilidade de um por cento ao cenário "todo o dinheiro" acontecer, mas acrescentou que é mais do que atribuiu há cinco anos.

"Para se tornar todo o dinheiro, tem de se ter muita gente envolvida, disse. E o último ano viu muitos novos investidores a apostarem na bitcoin, com os seus máximos e reconhecimento crescente a serem causa e efeito.

"Quanto mais valorizada a bitcoin estiver", disse, "mais se torna uma profecia auto realizável".

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