Entrada do 5G nos Estados Unidos adiada por preocupações da aviação

O regulador norte-americano da aviação está preocupado com possíveis interferências com os aparelhos de bordo dos aviões, e a entrada ao serviço do 5G, inicialmente previsto para 5 de dezembro, já tinha sido adiado e deveria ser implementado na quarta-feira.

O setor da aviação nos Estados Unidos, preocupado com as consequências da rede 5G nos instrumentos de bordo dos aviões, obteve um novo adiamento da implementação da tecnologia no país, para 19 de janeiro, foi divulgado esta quarta-feira.

De acordo com o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, citado esta quarta-feira pela agência France-Presse (AFP), o acordo alcançado na noite de segunda-feira "é um passo significativo na boa direção".

As companhias aéreas norte-americanas, através da sua federação A4A, ameaçavam visar na justiça os 'gigantes' das telecomunicações AT&T e Verizon, de forma a obter o adiamento e modificações técnicas no desenvolvimento da última geração de internet móvel ultrarrápida.

Segundo os representantes da indústria aérea norte-americana, foi conseguido um projeto de acordo de última hora com a AT&T, e depois com a Verizon, para atrasar novamente em 15 dias a entrada de novas bandas de frequência 5G.

Um porta-voz da AT&T confirmou à AFP ter concluído um acordo com o departamento dos Transportes e "aceitar um atraso suplementar de duas semanas para o desenvolvimento do serviço".

O regulador norte-americano da aviação (FAA) também está preocupado com possíveis interferências com os aparelhos de bordo dos aviões, e a entrada ao serviço do 5G, inicialmente previsto para 5 de dezembro, já tinha sido adiado e deveria ser implementado na quarta-feira (5 de janeiro).

No entanto, na sexta-feira, o secretário dos Transportes dos Estados Unidos, Pete Buttigieg, e o líder da FAA, Steve Dickson, pediram aos dois operadores de telecomunicações uma nova suspensão, com um máximo de duas semanas.

A AT&T e a Verizon tinham inicialmente recusado responder favoravelmente ao apelo.

Durante a "pausa de duas semanas" agora programado, as modificações realizadas nas instalações dos aeroportos, em particular, terão de ser revistas pela FAA "para garantir que cumprem todos os requisitos de segurança para os voos".

As bandas de frequência 3,7-3,8 GHz (gigahertz) foram atribuídas à AT&T e Verizon em fevereiro de 2021, após um leilão de biliões de dólares.

Face às inquietudes de potenciais problemas de interferência com os aparelhos que medem a altitude nos aviões, a FAA tinha emitido novas diretivas que limitavam a utilização desses aparelhos em determinadas situações.

Porém, as companhias aéreas dos Estados Unidos manifestaram-se contra os potenciais custos, e pediram às autoridades que encontrassem rapidamente uma solução.

"Sabemos que a segurança aérea e o 5G podem coexistir e estamos convencidos que prosseguindo a colaboração e as avaliações técnicas, resolveremos os problemas", indicou a AT&T.

Em dezembro, a fabricante de aviões europeia Airbus e a norte-americana Boeing também tinham exprimido a sua "inquietude" relativamente a possíveis perturbações nos instrumentos de bordo dos seus aparelhos devido à rede 5G, numa carta enviada ao departamento de Transportes.

O assunto também preocupa em França, onde as autoridades recomendam desligar os telemóveis 5G a bordo dos aviões, de forma a evitar um "congestionamento de sinal" potencialmente problemático, particularmente nas aterragens.

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