Sérvia exige à Bósnia que condene "tentativa de assassinato" do primeiro-ministro

O primeiro-ministro sérvio foi apedrejado quando colocava uma flor no monumento de homenagem às vítimas do massacre de Srebrenica.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Sérvia exigiu à Bósnia a "condenação pública" da "tentativa de assassinato" do primeiro-ministro sérvio Aleksandar Vucic, apedrejado durante a cerimónia do 20.º aniversário do massacre de Srebrenica.

"Esperamos uma condenação pública, por parte das autoridades bósnias, da tentativa de assassinato do primeiro-ministro da Sérvia", escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Sérvia numa mensagem enviada ao seu homónimo na Bósnia.

O primeiro-ministro sérvio, Aleksandar Vucic, foi atingido por uma pedra atirada por participantes nas cerimónias do 20.º aniversário do massacre de Srebrenica, e forçado a abandonar o local, rodeado por guarda-costas.

Vucic tinha acabado de pôr uma flor à frente do monumento, onde se encontram os nomes das mais de 6.200 pessoas identificadas e enterradas no local, vítimas do massacre de 1995, quando uma multidão começou a gritar "Allahu Akbar" ("Deus é grande") e a lançar pedras na direção do líder do Governo sérvio.

Antes de se deslocar à cidade, Vucic condenou "o monstruoso crime" de Srebrenica, na Bósnia Herzegovina, que culminou na matança de cerca de 8.000 muçulmanos, pelas tropas servio-bósnias, há 20 anos.

Dezenas de milhares de pessoas, incluindo familiares das vítimas e sobreviventes, deslocaram-se este sábado a Srebrenica, no leste da Bósnia Herzegovina, para participar nas cerimónias que marcam o 20.º aniversário do massacre, classificado como genocídio pela justiça internacional.

Entretanto, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton pediu este sábado, em Srebrenica, que a recordação do genocídio sirva à Bósnia-Herzegovina para construir um futuro de unidade e democracia.

"Permitam que este momento aos inocentes não seja só uma recordação da tragédia, mas que seja um lugar sagrado onde possam acudir todos e encontrar o futuro do seu país, que seja um lugar de liberdade, unidade, democracia, bem-estar", afirmou Clinton no Centro Memorial de Potocari, onde decorre a cerimónia que assinala o 20.º aniversário da tragédia.

Clinton, que participa nas cerimónias em nome do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também pediu à comunidade internacional para fazer um esforço para "dizer ao mundo que as diferenças são importantes, mas que o que é comum é muito mais importante".

Belgrado recusa-se a aceitar que foi perpetrado um genocídio e esta postura continua a ser uma questão que envenena as relações entre a Sérvia e a Bósnia.

Na quarta-feira, a Rússia vetou um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre Srebrenica, uma decisão com a qual Belgrado se congratulou, mas que as famílias das vítimas condenaram, considerando que tornava a reconciliação "impossível".

Os líderes político e militar dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic e Ratko Mladic, respetivamente, acusados de serem as eminências pardas do massacre de Srebrenica, estão atualmente a ser julgados por genocídio pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia.

Vinte anos após o massacre, a Bósnia, um dos países mais pobres da Europa, continua estática com as suas divisões e no fim da lista dos candidatos à adesão à União Europeia.

Depois de um período de tentativa de um Estado viável - com muitas dificuldades e sob pressão da comunidade internacional - a Bósnia, nas ruínas de um conflito com muitas mortes, ainda não conseguiu encontrar a fórmula para unir o seu povo.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de