Tiros, explosões, colchões no chão e armas por todo o lado. Este hostel é um cenário de guerra

Ficar alojado num cenário de guerra, numa cidade que sofreu com a guerra mais sangrenta da Europa desde a II Guerra Mundial. É esse o mote do War Hostel de Sarajevo que está a captar interessados em "turismo sombrio".

Numa altura em que a geração dos millennials corre o mundo de mala às costas e procura sítios baratos para ficar, os hostels passaram a ser uma das formas de alojamento mais procuradas, devido essencialmente aos preços baixos praticados mas também à partilha de experiências.

O War Hostel de Sarajevo (Hostel de Guerra de Sarajevo) é diferente de todos os outros e tem como objetivo transmitir aos turistas a ideia de privação que existia durante os tempos da guerra, nomeadamente na Guerra das Bósnia, a mais sangrenta da Europa desde a II Guerra Mundial.

Arijan Kurbasic é o responsável pela ideia e explica ao jornal The New York Times que está a "dar às pessoas o que elas queriam", focando-se num "tursimo sombrio", um nicho do mercado global que tem vindo a crescer com a curiosidade de explorar cidades e países que viveram cenários de guerra.

É exatamente essa a ideia do War Hostel. Ao contrário das habituais camas confortáveis dos hotéis, ou até das mais normais oferecidas em hostels, neste alojamento de Sarajevo dorme-se no chão, em colchões finos e desconfortáveis. As colunas não transmitem música mas sim o barulho constante de tiros e explosões.

As almofadas e colchões são uma miragem e para combater o frio há apenas cobertores pesados e rijos que "criam a sensação de dormir com um cavalo morto"

A decoração não é mais apelativa: há armas por todo o lado, cartazes com mensagens frias e marcas de guerra, com paredes e portas afetadas por tiros.

Arijan Kurbasic garante que não tenta enganar ninguém e não esconde que o cenário é mesmo o de uma guerra, assegurando que a "culpa" é de quem vem, já que transmite tudo sobre o hostel, até porque o objetivo é os clientes viverem na pele (numa recriação, claro) o que foi vivido pelas famílias bósnias durante a guerra.

Além de tudo isto, os turistas têm uma parte ainda mais negra: um bunker escuro e onde se vive um ambiente de tiros, explosões e fumo. "É tão infernal e desconfortável que é uma insanidade alguém querer dormir lá", conta descreve Zero One, o código de guerra usado por Kurbasic.

O cenário é de guerra, os dias ali vividos são negros, mas a mensagem transmitida pelo responsável é tudo menos negativa. "Os millennials vêm para aqui e dizem: isto é tão cool (fixe). Não é cool, isto não é um jogo. Se crescerem a pensar que isto se trata de um jogo de guerra vão tomar muito más decisões no futuro", realça em declarações ao jornal norte-americano.

Neste hostel foi aberta apenas uma exceção: há internet disponível para os utilizadores, até porque os jovens de hoje em dia provaram-lhe que conseguem ficar alojados num cenário de guerra, mas não viver sem internet.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de