Vieira de Sousa: 5.ª geração aponta ao futuro

Com notoriedade conquistada na qualidade de produtora de vinhos do Porto, a família Vieira de Sousa, que possui quintas na sub-região de Cima-Corgo, aponta ao futuro: a 5.ª geração, personificada por Luísa e Maria Borges, tetranetas de José Silvério Vieira de Sousa, é a primeira no vasto historial da família a dedicar-se à produção e comercialização de vinhos do Douro DOP.

A empresa Vieira de Sousa, criada em 2008, por Luísa Borges e pela mãe Maria de Lurdes para engarrafamento de vinhos do Porto com marca própria ganha assim outra dimensão.

O passo decisivo foi dado por Luísa Borges, o rosto mais visível da empresa. Enóloga premiada, decidiu arriscar e o projeto conheceu sucesso, com o aumento do portefólio dos vinhos Douro DOP, que representam metade das 120 000 garrafas de produção média anual e refletem a diversidade em termos de terroir dos 70 hectares de vinhas dispersas por quatro propriedades, todas situadas na sub-região do Cima Corgo: quintas da Água Alta - com Bom Dia e Espinhal agregadas -; Fojo Velho; Fonte e Roncão Pequeno.

A localização das vinhas, na zona do Pinhão e no planalto de Celeirós, em Sabrosa, permitem a produção de diferentes estilos de vinhos.

Alice tem o cunho de homenagem

A gama de entrada de gama é uma homenagem à tia-avó Alice Vieira de Sousa, professora que educou o pai das irmãs Borges.

O Alice Vieira de Sousa Reserva Tinto 2020 é um vinho bem estruturado e agradável, produzido com Touriga Franca e Tinta Roriz. Foram colocadas no mercado cerca de 30 mil garrafas.

Produzido com uvas provenientes do planalto de Celeirós, a 500 metros de altitude, o Vieira de Sousa Reserva Branco 2019 revela muita frescura e acidez.

Refletindo o terroir da quinta do Roncão Pequeno, o Vieira de Sousa Reserva Tinto 2020 - oito mil garrafas - é produzido com 90% de Touriga Franca e 10% de Touriga Nacional de uma vinha com três hectares.

Com uma edição limitada de 300 garrafas, o Rufete 2020 não é um clássico Vieira de Sousa: vinificado com engaço e pouca extração, representa uma certa forma de experimentalismo e aumenta o portefólio da marca, que ganhou possui notoriedade nos vinhos do Porto, comprovada com um excelente Tawny 20 anos e um LBV 2017 a justificar pontuação elevada.

Vinhos fortificados justificam galardão

O prémio 'Produtor de Vinhos Fortificados do Ano', atribuído recentemente pela Revista de Vinhos, comprova a qualidade de vinhos do Porto rústicos, mas ao mesmo tempo frescos e elegantes, revelando-se "uma autêntica biblioteca viva que está a ser apurada".

Para Luís Borges, tratou-se de "uma conquista de equipa e de família, pois é sem dúvida o resultado de todo o trabalho desenvolvido em busca do equilíbrio perfeito entre o passado e o presente. A Vieira de Sousa é na sua génese uma cuidadora de vinhos velhos e uma pensadora de vinhos futuros".

Uma forma da 5.ª geração da família homenagear os antepassados, elevando o patamar de qualidade dos vinhos do Douro, em geral, e dos vinhos fortificados, em particular.

Na última década, a Vieira de Sousa tem apostado nos LBV, sempre não filtrados, envelhecidos no Douro, em armazéns com chão de terra e beneficiando de localizações mais frescas, a uma altitude na ordem dos 500 metros.

Com forte imagem além-fronteiras, a exportação atinge 70% das vendas, em grande parte direcionadas para Dinamarca, Bélgica e Estados Unidos, os principais mercados externos.

Enoturismo é outra aposta

A Vieira de Sousa abriu, recentemente, na Régua, um novo espaço: uma sala de provas, que resultou da recuperação de um lagar em pedra, enquadrado numa vinha com vista para o rio Douro.

Entre os projetos, está a abertura de um alojamento local numa das quintas da família, nas antigas casas dos caseiros, junto ao rio Douro e no meio da vinha.

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