"A intervenção russa deparou-se com o repúdio claro do povo ucraniano"

Marcelo Rebelo de Sousa defende que, tal como na pandemia, é preciso assegurar bens essenciais, assegurar a economia e cuidar dos mais vulneráveis e pede que se evite uma "nova e mais complexa Guerra Fria".

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou esta segunda-feira "repúdio claro do povo" ucraniano à "intervenção russa" na Ucrânia, sublinhando que Portugal a condenou "muito antes da maior parte" dos países, e deixou um alerta para os "custos enormes" da guerra na vida de todos.

Em declarações após o Conselho de Estado desta segunda-feira, que condenou também "unanimemente" o ataque russo, o chefe de Estado descreveu a "intervenção" da Rússia como "chocante no tempo, na legitimidade e no alcance", tendo esta violado "princípios básicos, o respeito pelo direito internacional, a independência, a soberania e a integridade territorial dos Estados".

"Não há como negar que a comunidade internacional rejeitou o que considerou e considera intolerável", reforçou antes de defender que os dias que passam "só têm confirmado o acerto e a força" da condenação à "agressão russa".

Num momento em que há mais de 2,5 milhões de refugiados à procura de acolhimento em países ocidentais, o chefe de Estado destaca também o "repúdio claro" com que o povo ucraniano à "intervenção russa".

As duas semanas e meia já vividas, destacou, "permitem dizer que é crescente o apelo generalizado a um abreviar da guerra", procurando limitar o risco de uma "nova e mais complexa Guerra Fria a destruir décadas de diálogo".

"Não há como negar que é dramaticamente urgente encurtar a guerra na Ucrânia, mas com serenidade e não com expedientes negociais", assinalou também o Presidente da República, "concebidos apenas para ganhar tempo ou paralisar a resistência e unidade contra a agressão".

O que já se passou "teve, tem e terá custos enormes" que já chegaram à vida de todos e, assim, "não há como fazer de conta que esses custos não caíram, de uma forma ou de outra, nas nossas vidas".

Em Portugal, destaca o Presidente da República, "temos feito exatamente o que devíamos e deveremos continuar a fazer: condenamos o que praticamente todos viriam a condenar, e condenamos muito antes da maior parte desses todos".

"Unimos o que deve ser unido para que a condenação se revele consequente: unimos na União Europeia, na NATO e nas Nações Unidas, nos planos económico, financeiro e político-militar", assinalou também o chefe de Estado, sublinhando o acolhimento de refugiados feito "sem discriminações e privilégios".

Sem querer ilusões quanto aos "tempos muito difíceis que aí estão ou que aí vêm", Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que, tal como na pandemia, "temos de garantir bens essenciais, de assegurar o funcionamento da economia e de apoiar as empresas, a começar nas dos setores cruciais, e cuidar das pessoas, em particular das mais pobres, carenciadas ou sacrificadas".

Aos responsáveis, o chefe de Estado pede "contenção nas palavras, com firmeza nos valores e princípios, clareza nas decisões e serenidade na postura", incluindo o próprio e todos os portugueses.

"Acreditamos que vale a pena fazer tudo, mas mesmo tudo, para que a paz chegue, e chegue depressa" ao povo ucraniano, "a quem tanto devemos nas nossas casas, famílias, empresas, instituições de solidariedade social, nas nossas vidas e no nosso Portugal".

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