Boris Johnson considera mortes em Bucha quase genocídio

O primeiro-ministro britânico afirma que o país, em conjunto com a restante comunidade internacional, "voltará a atuar em concertação para impor mais sanções e penalidades ao regime de Vladimir Putin".

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou esta quarta-feira que as mortes de civis em Bucha e em outros lugares da Ucrânia, atribuídas ao exército russo, "não parecem estar longe de um genocídio".

"Quando olhamos para o que está a acontecer em Bucha, as revelações sobre o que [o presidente russo Vladimir] Putin fez na Ucrânia, não parece estar longe de um genocídio na minha opinião", afirmou o líder conservador durante uma visita nos arredores de Londres.

O Governo britânico geralmente evita usar o termo "genocídio", alegando que cabe aos tribunais decidir sobre a qualificação.

"Não tenho dúvidas de que a comunidade internacional, o Reino Unido na linha da frente, voltará a atuar em concertação para impor mais sanções e penalidades ao regime de Vladimir Putin", acrescentou.

Após vários conjuntos de medidas como resposta à invasão da Ucrânia por Moscovo, espera-se que os Estados Unidos adotem esta quarta-feira, em coordenação com a União Europeia e o G7, novas sanções contra a Rússia.

Essas novas medidas seguem-se à indignação expressa pelos líderes ocidentais após a descoberta no fim de semana de centenas de corpos com roupas civis em Bucha, a noroeste de Kiev, após a retirada das tropas russas. Moscovo rejeitou qualquer responsabilidade e disse tratar-se de uma encenação.

O presidente dos EUA, Joe Biden, disse na segunda-feira que queria um "julgamento por crimes de guerra", mas disse que não era um "genocídio".

A Convenção das Nações Unidas para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio descreve o genocídio como um "crime cometido com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso".

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1480 civis, incluindo 165 crianças, e feriu 2195, entre os quais 266 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,2 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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