Carga policial após manifestações em Luanda. Há três jornalistas detidos

A oposição e alguns juristas contestam as medidas adotadas por João Lourenço.

A manifestação estava prevista, mas no sábado tudo mudou de figura. O governo angolano, face à situação da pandemia, decidiu que só autorizava manifestações com um máximo de cinco pessoas. Emídio Fernando, jornalista e diretor da Rádio Essencial e do jornal Valor Económico, explica o que aconteceu.

"O governo angolano decidiu fazer alterações profundas naquilo que poderia ser um limiar do estado de emergência, que foi a expressão usada pelo próprio ministro quando anunciou as novas medidas mais drásticas e restritas em relação ao combate à pandemia. A primeira decisão que resultou desta medida foi a proibição da manifestação porque o governo de Angola agora só autoriza manifestações até cinco pessoas", explicou à TSF Emídio Fernando.

A oposição e alguns juristas contestam as medidas adotadas por João Lourenço. O líder da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, diz que o decreto deveria ter sido primeiro aprovado pela Assembleia Nacional, mas a manifestação aconteceu na mesma e a polícia respondeu em força.

"Foi mobilizada quase toda a polícia nacional para as ruas de Luanda e os manifestantes resolveram, mesmo assim, promover esta manifestação que resultou em muita violência, muitos incêndios, tiros e houve ataques a carros, até da polícia. O povo resolveu sair à rua e foi reprimido", contou o jornalista.

Três jornalistas e um motorista da Rádio Essencial e do jornal Valor Económico foram detidos. Durante várias horas, nem a direção destes meios de comunicação social nem os familiares dos jornalistas tiveram explicações por parte das autoridades e chegaram a pensar que estavam desaparecidos.

"Nem nós nem as famílias, o problema é que eles estão incontactáveis. Não conseguimos falar com os jornalistas e normalmente o que acontece aqui em Angola é que as pessoas são detidas sem serem previamente ouvidas, sem terem apoio jurídico, sem que se contacte, por exemplo, a direção da rádio ou do jornal", afirmou, na altura, o diretor da Rádio Essencial e do jornal Valor Económico.

O jornalista que dirige estes dois órgãos de comunicação social afirma que caiu a máscara a João Lourenço e que Angola não mudou muito, neste aspeto, em relação aos tempos de José Eduardo dos Santos.

"Nesta altura isto quer dizer que aquela primeira imagem que o Presidente quis passar de que as coisas eram diferentes em Angola não é verdade. As coisas não são diferentes no país e voltaram a ser até pior do que eram. Esta não é a primeira manifestação que é reprimida, já houve outras e sem pandemia", acrescentou Emídio Fernando.

Notícia atualizada às 23h36

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