Croácia: mais do mesmo HDZ ou o Recomeço de virar à esquerda

O HDZ, partido de direita (ex?) nacionalista, pode perder hoje o poder nas eleições legislativas para a coligação Recomeço, de centro-esquerda. Mas não é certo. Nas sondagens há um empate.

Há meio ano, o HDZ, Comunidade Democrática Croata, partido de direita fundado no inicio dos anos noventa pelo pai da independência do país, Franjo Tudjman, perdeu a presidência para Zoran Milanovic, líder do centro-esquerda que derrotou a incumbente conservadora Kolinda Grabar Kitarovic.

Este Domingo, nas legislativas, os conservadores e uma coligação liderada pelos sociais-democratas estão taco a taco nas sondagens; a última dá 31% das intenções de voto para o HDZ, 29% para a coligação Restart, Recomeço, formada por cerca de dez partidos e dirigida por um jovem e inexperiente economista, Davor Bernardic. Outra sondagem coloca o Restart com 56 lugares no Sabor, o parlamento croata com 151 lugares, enquanto o atual partido no governo ficaria com 55. A chave estará nos restantes partidos com vista à formação de uma maioria (76) para governar. Os vários estudos de opinião divulgados nos últimos dias colocam a diferença entre os dois partidos mais votados, sempre dentro dos limites da margem de erro, o que significa, basicamente, um empate técnico.

O HDZ e o SDP (partido social-democrata, de centro-esquerda) agora a liderar a coligação Restart, Recomeço) são as duas forças políticas que se têm alternado no poder desde a independência da antiga república jugoslava em 1991, uma independência sangrenta, com guerra com a Jugoslávia remanescente, então liderada por Slobodan Milosevic, até 1995.

O partido HDZ está no poder há quatro anos e o primeiro-ministro cessante Andrej Plenkovic espera dar inicio a um novo mandato, apesar de ser o líder de um governo assolado por diversos escândalos e suspeitas de corrupção, que provocaram a demissão de uma dezena de ministros nos últimos anos.

O SPH espera repetir a vitória surpresa conseguida por Milanovic na segunda volta das presidenciais em janeiro. A coligação de centro-esquerda, cujo líder é acusado de falta de carisma, tem por outro lado atacado o chefe de governo Plenkovic por se ter autoconfinado na reta final da campanha, após um torneio de ténis no Adriático em vez de tratar das prioridades do país e do difícil que vem pela frente. A Croácia tem uma elevada taxa de desemprego. Era de 9,5% em abril, valor que, com a pandemia, pode estar a disparar.

Nestas eleições, que estavam para acontecer no final do ano mas que o governo decidiu antecipar para tentar capitalizar uma bastante razoável gestão da pandemia, o fiel da balança para manter a direita no poder pode muito bem ser a ultradireita nacionalista do Bloco pela Croácia (HB), liderada pelo cantor populista Miroslav Skoro, com dez a doze por cento nas intenções de voto e a possibilidade de eleger até 18 deputados, pode ser decisivo na formação do próximo executivo, e para uma maioria no Sabor.

O Most (Ponte), terceira força política no atual paralmento, deverá descer no escrutínio de hoje e conseguir seis mandatos, o dobro do que deverá conseguir a coligação progressista e ecologista Mozemo (Podemos).

As eleições acontecem no meio de uma pandemia que atirou a economia para um buraco mal frequentado, com o principal setor de atividade do país, o turismo, a registar perdas da ordem dos sessenta a setenta por cento, algo verdadeiramente dramático para um setor que representa um quinto do PIB do país.

Além da gestão da pandemia e do autoconfinamento do chefe do governo depois do torneio de ténis no Adriático, outra das questões que dominou a campanha, foi a seguinte: deve uma mulher que tenha sido violada poder abortar? A direita e extrema-direita dizem que não, o centro-esquerda diz que sim.

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