Democratas bloqueiam lei republicana de reforma da polícia

As duas partes parecem ainda muito longe de um acordo sobre esta questão.

Os democratas bloquearam esta quarta-feira no senado norte-americano uma lei republicana de reforma da polícia, considerando que não foi suficientemente longe, num contexto de contestação generalizada contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos.

"Os democratas não o querem fazer porque querem enfraquecer a nossa polícia" com a sua própria lei, reagiu o Presidente dos EUA, Donald Trump.

Apesar da profunda vaga de protestos contra a violência policial que se abateu sobre os Estados Unidos desde a morte, às mãos da polícia, de George Floyd, as duas partes parecem ainda muito longe de um acordo sobre esta questão.

O plano de reforma republicano tem o apoio da polícia e das minorias, disse Donald Trump, afastando a perspetiva de um consenso próximo, durante uma conferência de imprensa na Casa Branca.

"Não faremos sacrifícios, não faremos nada que prejudique a nossa polícia", disse.

Os democratas "decidiram arrastar esta questão até às eleições presidenciais e parlamentares de novembro", denunciou o senador Tim Scott, o único negro norte-americano a representar os republicanos na câmara alta e promotor do projeto de lei.

A votação processual para abrir o debate no plenário falhou com os republicanos a precisarem de 60 votos para passar o primeiro obstáculo, mas a conseguirem apenas 55.

"O texto republicano nem sequer tenta fazer qualquer reforma significativa para responsabilizar a polícia por má conduta", disse, no Twitter, o líder da minoria democrata, Chuck Schumer.

A presidente democrata da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, lamentou que os senadores republicanos tenham "ignorado as vozes de centenas de milhares de pessoas que exigem justiça pacificamente", apelando para a aprovação do projeto de lei democrata, que será submetido a votação no congresso na quinta-feira.

Trump, que tem um poder limitado sobre a polícia, assinou em 16 de junho uma ordem executiva que proíbe a controversa prática de estrangulamento, exceto em casos de perigo para a vida de um polícia, e ordena uma reforma limitada das forças policiais.

Tim Scott disse que o seu projeto inclui "efetivamente" uma proibição de estrangulamentos, mas limita-se a suprimir os subsídios federais aos departamentos policiais que permitem esta prática.

Os democratas, pelo seu lado, estão a planear uma proibição a nível nacional. Outro ponto de discórdia é que o texto republicano não aborda a ampla imunidade de que gozam os agentes da polícia, ao contrário do dos democratas.

Tim Scott tinha explicado que a inclusão de tais medidas no projeto o condenaria ao fracasso no Senado. George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, sucederam-se protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem, num cenário que se estendeu também com protestos e manifestações em várias cidades mundiais.

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