Doze pessoas retiradas de urgência do OpenArms. ONG pede "humanidade"

A ONG espera há suas semanas no mar por uma autorização das autoridades italianas para desembarcar na ilha de Lampedusa.

Doze pessoas foram retiradas de urgência do Open Arms nas últimas 24 horas, anunciou a ONG que opera o navio denunciando uma "agonia insuportável" a bordo e pedindo o desembarque imediato de todos os migrantes.

"Três pessoas e um acompanhante foram retirados de urgência por complicações médicas que exigem atenção especializada. Todas as pessoas a bordo precisam de ser retiradas com urgência. Por humanidade", escreveu no Twitter a organização não-governamental espanhola Proativa Open Arms.

Horas antes, na noite de quinta-feira, a ONG conseguiu a retirada de urgência por motivos psicológicos de nove pessoas - três adultos e duas crianças a necessitar de cuidados e quatro familiares.

"Vivemos a bordo uma agonia insuportável", denuncia a ONG numa mensagem colocada hoje no Twitter, um dia depois de o fundador, Óscar Camps, ter explicado à agência EFE que as duas semanas à deriva deixaram muitos dos migrantes resgatados sob grande tensão e "com problemas muito sérios", tendo-se registado "tentativas de suicídio" e episódios "de violência".

Apesar de, na quinta-feira, seis países europeus, entre os quais Portugal, se terem oferecido para receber os migrantes a bordo do navio humanitário, atualmente 134, o Open Arms continua sem autorização do ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, para aportar na ilha italiana.

Sem autorização, e ao abrigo de uma lei aprovada recentemente em Itália, o navio pode ser apresado, o comandante detido e a organização sujeita a uma multa que pode chegar a 1 milhão de euros.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, pediu esta semana a Salvini que autorizasse pelo menos o desembarque dos 32 menores que se encontravam a bordo, mas o ministro, que é também o líder do partido de extrema-direita Liga, recusou.

Óscar Camps disse contudo à EFE que, na quinta-feira de manhã, equipas da guarda costeira e da fiscalização de fronteiras, assim como uma equipa médica, subiram a bordo para analisar a documentação do navio e os relatórios médicos das pessoas a bordo.

Além do Open Arms, há um outro navio, o Ocean Viking, operado pelos Médicos Sem Fronteiras e a SOS Mediterranée, que aguarda, com 356 migrantes a bordo, autorização para aportar.

Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), entre 01 de janeiro e 04 de agosto de 2019 mais de 39.000 migrantes e refugiados chegaram à Europa através do Mar Mediterrâneo, cerca de 34% menos que em igual período de 2018.

Daquele total, o maior número de pessoas chegou à Grécia (18.947), seguindo-se a Espanha (13.568), Itália (3.950), Malta (1.583) e Chipre (1.241).

No mesmo período, 840 pessoas morreram durante a travessia, segundo a organização.

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