Erdogan anuncia início de operação militar contra curdos na Síria

Presidente turco afirmou que ofensiva contra milícia curda síria trará "paz e estabilidade".

A Turquia e os seus aliados rebeldes sírios iniciaram, esta quarta-feira, uma operação militar no nordeste da Síria, afirmou o Presidente turco Tayyip Erdogan, acrescentando que a ofensiva tem como objetivo eliminar um "corredor terrorista" ao longo da fronteira com o sul do seu país.

Erdogan disse ainda que a ofensiva, apelidada de "Operação Primavera de Paz", visa eliminar as ameaças da milícia curda síria YPG e os militantes do Estado islâmico, de modo a permitir o regresso dos refugiados sírios à Turquia depois de ser possível formar uma "zona segura" na área.

"A nossa missão é impedir a criação de um corredor de terror em toda a zona sul da nossa fronteira e trazer a paz para a área. Preservaremos a integridade territorial da Síria e libertaremos as comunidades locais de terroristas", escreveu Erdogan no Twitter.

Ofensiva contra milícia curda síria trará "paz e estabilidade". A conversa entre Erdogan e Putin

Numa conversa telefónica com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, o Presidente turco disse que uma ofensiva turca contra uma milícia curda síria contribuirá para a "paz e estabilidade" na Síria.

"Durante esta conversa, o Presidente declarou que a operação militar planeada a leste do Eufrates contribuirá para a paz e estabilidade da Síria e facilitará o caminho para uma solução política", segundo uma fonte da Presidência turca.

Após duas operações anteriores, a Turquia prepara-se para lançar uma nova ofensiva na Síria contra a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), que considera como um grupo "terrorista", mas que é apoiada pelos países ocidentais.

Vários países, incluindo a França, mostraram-se preocupados com as consequências humanitárias de uma nova frente no conflito sírio, bem como o destino dos milhares de 'jihadistas' do grupo extremista Estado Islâmico (EI) detidos em campos controlados pelas forças curdas.

Ancara explicou que o seu objetivo é criar uma "zona segura" que possa albergar refugiados sírios na Turquia e separar a fronteira turca das posições da YPG. Após o anúncio no domingo, pela Casa Branca, de uma retirada dos soldados norte-americanos da Síria, o Presidente dos EUA, Donald Trump, fez declarações contemporizadoras, ao assegurar que "não abandonou" os curdos e ameaçando "destruir completamente a economia da Turquia" caso Ancara "ultrapasse os limites".

A Rússia e a Turquia, que apoiam lados opostos no conflito sírio, intensificaram a sua cooperação nos últimos anos, em particular no noroeste da Síria. Na terça-feira, Moscovo apelou para que "não seja sabotada a resolução pacífica" do conflito na Síria, em alusão à ofensiva que Ancara pretende lançar.

O Presidente Vladimir Putin e o seu Conselho de segurança sublinharam, durante a reunião, "a importância, no atual momento, de evitar qualquer ação que poderá sabotar uma resolução pacífica" do conflito no contexto da formação recente de um Conselho constitucional, segundo o porta-voz Dmitri Peskov, citado pelas agências russas.

Enquanto a operação turca parece cada vez mais iminente, com o destacamento de milhares de combatentes e tanques na fronteira síria, o porta-voz do Presidente turco falou hoje com o conselheiro de segurança nacional do Presidente dos EUA, Robert O'Brien.

Segundo a Presidência turca, Ibrahim Kalin e O'Brien debateram "o estabelecimento da zona de segurança".

"Manteremos a ONU [Nações Unidas] e todos os países envolvidos, incluindo a Síria, informados sobre o desenrolar da operação", indicou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlüt Cavusoglu, citado pela agência estatal Anadolu.

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