"Esta crise que estamos a viver hoje não tem nada a ver com a de 2008 e 2009"

O fracasso climático e a crise social são os principais riscos globais publicados no estudo Global Risks Report 2022, encomendado pelo Fórum Económico Mundial.

As clivagens sociais, as crises de subsistência e a deterioração da saúde mental, bem como o clima a longo prazo, são os principais riscos globais inseridos no estudo Global Risks Report 2022 do Fórum Económico Mundial.

Os dados foram recolhidos junto de decisores e peritos de 124 países e depois trabalhados pela seguradora Zurich e pela consultora Marsh McLennan. O especialista de risco da consultora em Portugal, Fernando Chaves, comparou a crise atual, com a crise mundial do final da primeira década do século.

"Esta crise que estamos a viver hoje não tem nada a ver com a crise de 2008 e 2009. Efetivamente, a de 2008 e 2009 era uma crise muitíssimo baseada em aspetos económicos, mais facilmente previsíveis. Estamos perante uma crise que apesar de ser com um fim, não está necessariamente à vista", explica.

Fernando Chaves alerta que os efeitos da pandemia ficarão "durante muitos anos": "Não pensemos que a Ómicron tem o seu fim à vista para a pandemia. A pandemia ainda durará, mas os seus efeitos ficarão, tal como os efeitos da Covid-19 ficam no nosso corpo quando apanhamos o vírus durante muitos meses ou anos, também ao nível global os seus efeitos vão igualmente permanecer durante muitos anos, o que obriga, naturalmente, a uma alteração de paradigma no tipo de políticas que há."

Segundo o especialista de risco da Marsh McLennan, "com a Covid houve riscos que se exacerbaram de uma forma muito forte", concretamente "a erosão da coesão social, a perda de qualidade de vida e perda de poder de compra de muita gente - não só a nível nacional, mas também a nível mundial - e um aumento tremendo do fosso social que existe entre os mais ricos e os mais pobres".

"Por outro lado, a resposta a uma crise aguda não permitiu dar a atenção que temos de dar à urgência climática e de adaptação às alterações climáticas, que veio para ficar, que são riscos absolutamente duradouros, mas que precisam de medidas que não são pequenos pensos para uma doença que é do momento, mas sim para um problema global que vai ter impactos fortíssimos com repercussões sociais, económicas e geopolíticas", avisa.

O estudo do Fórum Económico Mundial revela que o fracasso em relação a objetivos climáticos e os riscos que têm a ver com o clima dominam as preocupações em termos globais, ao mesmo tempo que o mundo entra no terceiro ano de pandemia, adiantando que, a curto prazo, as preocupações se centram nas crises sociais, de subsistência e na deterioração da saúde mental.

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