Legado de Guterres é "meio caminho andado" para ter Portugal no Conselho de Segurança

Marcelo Rebelo de Sousa sublinha que a candidatura portuguesa quer mostrar que o país é "seguro e fiável" e capaz de prosseguir o trabalho de Guterres depois de 2027.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acredita que Portugal vai beneficiar do trabalho feito por António Guterres para tentar garantir um lugar luso no Conselho de Segurança das Nações Unidas entre 2027 e 2028.

Em declarações aos jornalistas, em Nova Iorque, o chefe de Estado explicou que a candidatura de Portugal passa por mostrar que o país "é seguro, é fiável, faz pontes e em 2027 prosseguirá o legado de António Guterres", cujo mandato termina no ano anterior.

"É meio caminho andado", sustenta o Presidente da República, para que em 2027/2028 Portugal possa "ir mais longe e servir o que é fundamental para o clima, a segurança, a paz, as migrações, os refugiados e o combate à pandemia, onde temos trabalho feito.

O chefe de Estado defendeu que "Portugal sempre que esteve no Conselho de Segurança provou bem" e assinalou que "os países da CPLP vão ter ao longo dos próximos anos uma presença no Conselho de Segurança: Brasil, já, depois Moçambique e depois, esperemos que Portugal", acrescentando que o país quer estar no Conselho de Segurança da ONU "servindo a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), também a União Europeia, também o mundo ibero-americano", exercendo a sua "capacidade de diálogo com todo o mundo".

O Presidente da República referiu que, nestes processos de candidatura, "os contactos são feitos a longuíssimo prazo" e que "do que se trata é de continuar esses contactos para garantir uma maioria".

"É um trabalho da nossa diplomacia, constante, permanente, com os aliados tradicionais", enquadrou, realçando que "é uma maioria muito apreciável que é preciso, superior a cem Estados".

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que têm direito de veto, são os Estados Unidos de América, a Federação Russa, a França, o Reino Unido e a República Popular da China.

Marcelo Rebelo de Sousa revelou também que esteve esta quarta-feira reunido com o presidente da Assembleia Geral da ONU, Abdulla Shahid, e saiu do encontro convencido de que, no próximo ano, haverá uma "conferência, por ventura no início do ano que vem" entre líderes mundiais e produtores de vacinas para "ultrapassar a situação que se viveu nos últimos dois anos" e com o objetivo de "pensar no futuro" da saúde.

"Está muito clara a vontade de São Tomé e Príncipe ter a presidência da CPLP"

Nna mesma declaração, Marcelo assinalou que "está muito clara a vontade de São Tomé e Príncipe ter a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)".

O presidente português tem tido tido "encontros informais com chefes de Estado de países de língua portuguesa" em Nova Iorque, à margem da 76.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Estaremos juntos na posse do Presidente de São Tomé dentro de uma semana, do Presidente de Cabo Verde dentro de um mês. E está, no fundo, muito clara a vontade de São Tomé e Príncipe ter a presidência da CPLP", acrescentou.

Em julho, os Estados-membros da CPLP decidiram adiar a decisão sobre o país a presidir à organização, após a atual presidência de Angola. Marcelo Rebelo de Sousa explicou que esse adiamento se devia às eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe, para saber se o vencedor aceitaria esse papel.

Na quarta-feira, a Guiné-Bissau manifestou interesse formal em presidir à CPLP a partir de 2023, depois da presidência de Angola, segundo documentação a que a Lusa teve acesso.

A posse do novo Presidente de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, na qual Marcelo Rebelo de Sousa já tinha indicado a intenção de estar presente, está marcada para 2 de outubro.

As eleições presidenciais em Cabo Verde vão realizar-se em 17 de outubro, com uma eventual segunda volta em 31 do mesmo mês.

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