Estado de Nova Iorque abre inquérito a morte de homem negro detido em março

Daniel Prude entrou em coma e morreu uma semana depois ter sido hospitalizado. O agente colocou um saco de tecido na cabeça do detido.

A procuradoria-geral do estado de Nova Iorque decidiu investigar as circunstâncias da detenção de Daniel Prude, um homem negro que entrou em coma e posteriormente morreu após ter sido detido pela polícia em março passado, foi divulgado esta quinta-feira.

Este caso, ocorrido em Rochester, cidade localizada na zona nordeste do estado norte-americano de Nova Iorque, está a ser falado depois da divulgação na quarta-feira das imagens registadas pelas minicâmaras usadas pelos polícias envolvidos na detenção, na sequência de um pedido formal da família de Daniel Prude que solicitou ter acesso a uma cópia das gravações.

Em 23 de março, a polícia de Rochester, onde 40% da população é negra, foi chamada a intervir depois de o irmão da vítima ter pedido ajuda, relatando na altura que Daniel Prude apresentava sinais de distúrbios psicológicos.

Uma vez no local, um dos agentes encontrou Prude deitado no chão da rua, nu e algemado, de acordo com as imagens divulgadas na quarta-feira.

Enquanto o homem fazia declarações incoerentes, o agente colocou um saco de tecido, uma espécie de capuz, na cabeça de Daniel Prude, ação que o deixou ainda mais agitado.

Este tipo de capuz é utilizado para evitar que os agentes policiais sejam atingidos por fluidos corporais como saliva, em caso de o detido cuspir, e prevenir um eventual contágio com o novo coronavírus, segundo explicou a polícia.

Um agente colocou depois as duas mãos sobre o rosto de Daniel Prude, que, segundo as imagens divulgadas, estava com dificuldade em respirar e implorava que o capuz lhe fosse retirado, antes de perder a consciência.

Os agentes riram-se várias vezes durante a detenção, de acordo com as imagens.

Daniel Prude entrou em coma e morreu uma semana depois ter sido hospitalizado.

Morte causada por "asfixia consecutiva por constrangimento físico"

O instituto de medicina legal concluiu, após uma autópsia, que a morte de Prude foi um homicídio, relacionado com uma "asfixia consecutiva por constrangimento físico".

"Iremos trabalhar incansavelmente para assegurar transparência e estabelecer eventuais responsabilidades", declarou a procuradora do estado de Nova Iorque, Letitia James, num comunicado.

"Trataram o meu irmão como um animal", afirmou Joe Prude (o irmão de Daniel Prude que pediu ajuda no dia da detenção), numa conferência de imprensa realizada na quarta-feira.

O chefe da polícia de Rochester, La'Ron Singletary, também ele afro-americano, informou que está a decorrer uma investigação interna sobre o caso, garantindo que nunca houve qualquer intenção de "encobrir" o incidente.

Na mesma ocasião, o representante informou que os agentes envolvidos no incidente não foram suspensos.

Este novo caso surge após outras situações recentes envolvendo cidadãos afro-americanos e agentes policiais, nomeadamente os casos de George Floyd, Breonna Taylor ou de Jacob Blake, que desencadearam uma nova vaga de emoção e de protestos antirracismo e contra a brutalidade policial em várias cidades norte-americanas.

Durante este verão, os Estados Unidos foram palco de contínuas manifestações por todo o país, que por vezes degeneram em confrontos e que desencadearam a declaração do estado de emergência em várias cidades e a mobilização de efetivos da Guarda Nacional (militares de reserva).

Estas manifestações antirracismo e contra a violência policial foram desencadeadas inicialmente pelo caso de George Floyd, um afro-americano que morreu asfixiado pelo joelho de um polícia branco em maio passado, na cidade norte-americana de Minneapolis.

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