EUA não reconhecem Lukashenko como presidente "legitimamente eleito" da Bielorrússia

Lukashenko foi empossado no cargo numa cerimónia em que prestou juramento em segredo para um sexto mandato.

Os Estados Unidos "não podem considerar Alexandre Lukashenko como o presidente legitimamente eleito da Bielorrússia", declarou esta quarta-feira o Departamento de Estado norte-americano, noticiou a AFP.

"As eleições de 09 de agosto não foram nem livres nem justas. Os resultados anunciados foram manipulados e não conferem qualquer legitimidade", afirmou à AFP um porta-voz da diplomacia norte-americana.

Lukashenko, cuja reeleição é fortemente contestada por milhares de pessoas em manifestações nas ruas do país, foi esta quarta-feira empossado no cargo numa cerimónia em que prestou juramento em segredo para um sexto mandato e que só foi divulgada depois, o que provocou imediatamente uma nova manifestação da oposição na capital Minsk.

Washington apelou a um "diálogo nacional" que permita aos bielorrussos "usufruir do seu direito de escolher os seus dirigentes em eleições livres e justas sob observação internacional".

"Libertar os detidos de forma injusta e pôr fim à repressão contra os cidadãos que se manifestam pacificamente deve ser uma primeira etapa em direção a um diálogo nacional sincero", acrescentou o Departamento de Estado.

Segundo dados oficiais, Lukashenko foi reeleito com 80,1% dos votos nas eleições de 09 de agosto, resultado não reconhecido pela oposição ou pelo Ocidente e que desencadeou a maior vaga de protestos da história pós-soviética na Bielorrússia.

Após a posse, a oposição bielorrussa apelou aos protestos por tempo indeterminado.

"Nunca aceitaremos as fraudes e exigimos novas eleições", disse Pavel Latushko, um dos líderes da oposição bielorrussa, numa mensagem publicada na rede social Telegram.

Latushko, ex-ministro da Cultura e membro do conselho de coordenação para a transferência pacífica do poder na Bielorrússia (entidade criada pela oposição), acrescentou que esta plataforma da oposição apela a todos a "uma ação de desobediência indefinida".

A Bielorrússia tem sido palco de várias manifestações desde 09 de agosto. Nos primeiros dias de protestos, a polícia deteve cerca de 7 mil pessoas e reprimiu centenas, suscitando protestos internacionais e ameaça de sanções.

Os Estados Unidos, a União Europeia (UE) e diversos países vizinhos da Bielorrússia rejeitaram a vitória eleitoral de Lukashenko e condenaram a repressão policial, exortando Minsk a estabelecer diálogo com a oposição.

A Alemanha já reagiu à tomada de posse de Lukashenko e afirmou que não a reconhece por "falta de legitimidade democrática".

"Não foram preenchidas as exigências mínimas para eleições democráticas", denunciou em conferência de imprensa o porta-voz do Governo alemão, Steffen Seibert, acrescentando que as contestadas eleições presidenciais de 09 de agosto na Bielorrússia "não foram nem justas nem livres".

O Governo alemão apelou ainda, através do seu porta-voz, à "libertação de todos os presos políticos" e exortou as autoridades bielorrussas a prescindirem do uso da força contra os manifestantes.

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