FBI divulga centenas de documentos sobre investigações ao 11 de Setembro

Al-Qaeda não informou antecipadamente os participantes da natureza do ataque por razões de "segurança operacional".

O FBI divulgou esta quarta-feira centenas de páginas de documentos desclassificados sobre os seus esforços para explorar ligações entre o governo saudita e os ataques de 11 de setembro, revelando a extensão de uma árdua mas infrutífera investigação.

Durante anos os agentes do FBI investigaram o apoio dado aos sequestradores após a sua chegada aos Estados Unidos da América, com um foco em tentar perceber se três cidadãos de nacionalidade saudita - incluindo um funcionário da embaixada saudita em Washington - tinham conhecimento prévio dos ataques.

Porém, os investigadores não encontraram provas suficientes para acusar nenhum dos três cidadãos de apoio ilegal aos sequestradores, segundo um memorando do FBI, de maio, que encerrou a investigação e que consta entre as mais de 700 páginas hoje divulgadas.

Segundo a Associated Press, no referido memorando o FBI observa que a Al-Qaeda compartimentou os papéis dentro dos ataques principais e "não revelou antecipadamente a outros os planos de ataque" com receio de fugas de informação.

"Concretamente, em relação aos ataques do 11 de setembro, os sequestradores sabiam que se tratava de uma operação de martírio, mas não conheciam a natureza da operação até pouco tempo antes do ataque, por razões de segurança operacional", refere o memorando do FBI.

Estes documentos foram os materiais mais recentes a serem divulgados na sequência de uma ordem executiva do Presidente Joe Biden, com o objetivo de tornar públicos os relatórios das investigações sobre os ataques, que estavam classificados.

Um outro documento separado sobre a investigação foi divulgado por ocasião do 20.º aniversário dos ataques às Torres Gémeas e ao Pentágono.

A AP adianta que a embaixada da Arábia Saudita em Washington não respondeu a um pedido de comentário formulado esta quarta-feira, mas em setembro emitiu um comunicado em que sublinhava que qualquer alegação de cumplicidade é maliciosa e categoricamente falsa.

As investigações produzidas pelas autoridades norte-americanas ao longo destas duas décadas documentaram o apoio dado por funcionários do governo saudita a vários sequestradores após a sua chegada aos Estados Unidos, mas o memorando do FBI que encerra a investigação diz que a agência "não identificou grupos ou indivíduos adicionais responsáveis pelos ataques além dos atualmente acusados".

Ainda assim, os documentos revelam novos detalhes sobre os esforços do FBI em investigar um possível envolvimento do governo saudita e o apoio dado por cidadãos sauditas nos EUA aos dois primeiros sequestradores a chegar aos Estados Unidos: Nawaf al-Hazmi e Khalid al-Mihdhar.

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