Incerteza marca congresso que decide novo líder do partido de Merkel

Armin Laschet, Friedrich Merz e Norbert Röttgen são os candidatos na corrida à liderança do partido conservador alemão.

A União Democrata-Cristã (CDU), partido da chanceler Angela Merkel, escolhe esta sexta e sábado, após vários adiamentos, o sucessor de Annegret Kramp-Karrenbauer na liderança do partido, com três candidatos na corrida e muita incerteza, num congresso realizado por videoconferência.

Espera-se que um total de 1.001 delegados vote no congresso, adiado várias vezes devido à pandemia de Covid-19, cujo desfecho os analistas têm dificuldade em prever.

Armin Laschet, Friedrich Merz e Norbert Röttgen são os candidatos na corrida à liderança do partido conservador, e se nenhum dos três conseguir maioria na primeira volta, os dois mais votados terão de enfrentar uma segunda volta.

A escolha dos delegados será registada eletronicamente, e a segunda volta, de acordo com a lei alemã, deverá acontecer pelo correio.

Do mais conservador, ao candidato da continuidade, a experiência política parece marcar a grande diferença entre os três candidatos à liderança da CDU.

Trata-se de um congresso em que tudo permanece em aberto, apesar de os delegados parecerem preferir um caminho de continuidade, depois de Angela Merkel deixar a liderança do governo com um confortável primeiro lugar nas intenções de voto, com 36%.

As eleições legislativas estão marcadas para 26 de setembro, mas o congresso da CDU, que dita a abertura do ano político na Alemanha, é um passo decisivo para o partido conservador.

Nas eleições internas, Friedrich Merz, advogado e empresário de 65 anos, é apontado como o favorito do eleitorado da CDU, reunindo 29% das intenções de voto, mas não necessariamente dos delegados do partido.

Este milionário, é adversário político de Angela Merkel desde 1990, e esteve na corrida para a presidência do partido conservador em 2018, perdendo por pouco para Kramp-Karrenbauer.

Armin Laschet é, desde 2017, líder do governo regional da Renânia do Norte-Vestefália, o segundo maior e mais populoso estado federado alemão, anteriormente governado pelo Partido Social Democrata (SPD).

Antigo jornalista de rádio, membro da CDU desde os 18 anos, começou a trabalhar na política como assessor da ex-presidente do Bundestag (parlamento alemão), Rita Süssmuth, antes de se tornar o elemento mais jovem do conselho municipal de Aachen, em 1989.

Apoiante de Merkel e considerado um verdadeiro centrista, a avaliação da sua atuação durante a atual crise de saúde não lhe tem sido favorável. Entre os eleitores gerais consegue 18% dos votos nas sondagens, e 25% entre os eleitores da CDU.

Já Norbert Röttgen foi o primeiro a apresentar-se como candidato, depois da demissão de Kramp-Karrenbauer. É advogado, deputado e ex-ministro do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear no governo de Merkel de 2009 a 2012.

Foi afastado pela própria chanceler, depois de ter um dos piores resultados da história do partido nas votações para o governo regional da Renânia do Norte-Vestefália. Membro do Bundestag desde 1994, conseguiu refazer a sua imagem atuando como perito em político externa.

Apesar de ser possivelmente o candidato menos conhecido dos alemães, conseguiu aumentar a sua popularidade e tem, de acordo com as últimas sondagens, 22% dos votos entre os eleitores gerais, e 25% entre os eleitores da CDU.

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