Aeroporto de Hong Kong volta a cancelar voos devido a protestos

As autoridades aeroportuárias de Hong Kong cancelaram todos os voos de partida ainda programados para esta terça-feira, devido a mais um dia de manifestações que ocuparam os terminais do aeroporto internacional.

As autoridades anunciaram esta terça-feira que os serviços de 'check-in' para voos que partem do aeroporto internacional de Hong Kong foram suspensos às 16h30 (hora local, 9h30 em Lisboa).

Os outros voos que já tinham concluído o seu processo continuaram a operar.

As autoridades informaram que os voos que estão a chegar ao aeroporto de Hong Kong não devem ser afetados, mas dezenas destes já foram cancelados.

Também aconselharam ao público em geral a não se deslocar para o aeroporto.

Alguns voos ainda puderam descolar e aterrar daquele aeroporto internacional esta terça-feira, um dia depois de mais de 200 voos terem sido cancelados.

O encerramento segunda-feira do oitavo aeroporto internacional mais frequentado do mundo (74 milhões de passageiros em 2018), numa medida raramente aplicada, foi decidido na segunda-feira e no momento em que o Governo central chinês afirmava ver "sinais de terrorismo" na contestação que agita a região administrativa especial chinesa, desde o início de junho.

As salas de embarque e desembarque do aeroporto foram tomadas de novo, esta terça-feira, por milhares de manifestantes que ali se juntaram pelo quinto dia consecutivo.

A contestação social foi desencadeada pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e reivindicam agora medidas para a implementação do sufrágio universal no território, a demissão da atual chefe do Governo, uma investigação independente à violência policial e a libertação dos detidos ao longo dos protestos.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio de "um país, dois sistemas", precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

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