Uma ferrovia para crianças e outros monumentos esquecidos que voltam à vida

Reavivam na memória de quem já os esqueceu os edifícios do século XX que, noutros tempos, marcaram a história. Desde uma ferrovia dirigida por crianças, em Ljubjana, até aos monumentos mais brutalistas, o Nonument quer manter a história viva.

O Museu de Arte Transitória de Ljubljana, na Eslovénia, criou um projeto artístico de arquivamento e mapeamento arquitetónico de monumentos, infraestruturas e espaços públicos já esquecidos.

O "Nonument" consiste na imortalização da arquitetura do século XX que se tem vindo a perder ou que sofreu alguma mudança na sua simbologia, tendo em conta alterações políticas e sociais.

Uma equipa de artistas e investigadores internacionais fundou em 2011 um arquivo online que fornece aos internautas um banco de dados organizado por tipo, década e país com 120 estudos de caso. É nele que imortaliza os espaços que sobrevivem ao tempo, mas nem sempre à memória.

A primeira intervenção do projeto teve lugar nos Estados Unidos com a fonte McKeldin, no centro de Baltimore, que foi definitivamente demolida em 2017 por ter grandes dimensões e ser considerada ultrapassada e sem utilidade.

O grupo de artistas do Nonument realizou no local, ao longo de vários anos, inúmeras tentativas para salvar e restabelecer a fonte McKeldin, todas malsucedidas. O Nonmument acabou por criar uma app de realidade aumentada que permite visualizar, com recurso a um smartphone ou tablet, o monumento atualmente já demolido. Esta fonte em versão digital permite ouvir histórias e testemunhos de pessoas que utilizem a aplicação.

Segundo o jornal britânico The Guardian, Bricelj Baraga, um dos fundadores do projeto, explica que os monumentos já ultrapassados "incorporam certos tipos de conflito que vivem nesta sociedade ainda neste momento e eu acho que essa é a razão pela qual eles não são preservados" remata.

A última intervenção do Nonument aconteceu na Eslovénia, em Ljubljana, na antiga Estrada de Ferro Pioneira que esteve em funcionamento entre 1948 e 1954. Nesta ferrovia as crianças realizavam todo o tipo de trabalhos, exceto conduzir o comboio, sob a supervisão de adultos. A ferrovia infantil, ao longo do tempo, acabou por desaparecer quase completamente da cidade e da memória pública.

A ação artística desenvolveu uma performance, com luz, som e dançarinos vestidos com macacões prateados que carregavam tubos incandescentes ao longo de um caminho de luzes. A plateia teve ainda oportunidade de ouvir vários pioneiros da ferrovia infantil, ainda vivos.

Ainda para 2019 estão marcadas mais duas intervenções artísticas na Bulgária e no Chipre.

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