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As forças de segurança angolanas são acusadas de terem assassinado 16 pessoas desde o fim de março, mês em que entrou em vigor o estado de emergência no país africano. A maioria das vítimas insere-se nas camadas mais jovens, alguns são adolescentes que saem de casa para assegurar que a família tem meios de subsistência, como alimentos.
A notícia é adiantada esta quarta-feira pelo jornal Público. Os óbitos terão acontecido durante rixas e confrontos com a polícia que tenta fazer cumprir as restrições no contexto da pandemia de Covid-19.
O relatório da Amnistia Internacional e da associação angolana de direitos humanos Omunga relata sete mortes ocorridas em Luanda. Os testemunhos apontam o dedo à brutalidade da polícia do país.
Pedro Mienangue, pai de Kilson, um dos jovens mortos, com 15 anos, acusa a polícia de ter atirado para matar. A alegação é sustentada por Ronilson Kanda, uma testemunha que se encontrava no local e que acusa a polícia de ter abandonado sem prestar assistência ao adolescente. "A polícia foi até ele, controlou-o. Subiu na patrulha e fugiu", narra.
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Ouça as palavras de Pedro Mienangue, sobre a morte do filho.
Ronilson Kanda descreve o que viu na sexta-feira em que Kilson morreu.
O caso da morte de Kilson faz subir de tom o coro de críticas à intervenção policial em Angola. Pedro Mienangue, pai do jovem que foi morto na sexta-feira, espera que a justiça angolana apure as responsabilidades e investigue a atuação das forças de segurança. "Que a justiça faça o seu trabalho", apela, e este apelo é apoiado pela Amnistia Internacional e pela Omunga, que denunciam a cultura de violência das forças de segurança angolanas.
Pedro Mienangue apela à Justiça.
As organizações receiam que o número de vítimas seja superior ao que tem sido divulgado e afirmam que o presidente João Lourenço deve dar importância ao tema e avançar com uma reforma na polícia.

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