Julgamento de Trump. A difícil tarefa dos democratas

No segundo dia para apresentação dos argumentos iniciais da acusação, os democratas tentaram convencer possíveis republicanos indecisos.

Durante oito horas, Adam Schiff, principal acusador democrata, apelou ao dever cívico dos senadores republicanos que se têm mostrado mais moderados. Os alvos são Mitt Romney do Utah, Cory Gardner do Colorado, Lisa Murkowski do Alasca, Lamar Alexander do Tennessee e Susan Collins do Maine.

A certa altura no discurso Schiff defendeu "ok, ele é culpado! Não há dúvidas sobre isto, ninguém diz que Donald Trump nunca faria uma coisa destas. Nesta altura já não está em causa a culpabilidade, o que se pergunta é se ele deve ser afastado. Quais os danos que ele poder causar até às presidenciais? Muitos, muitos. Se a Rússia voltar a interferir nas eleições podem garantir que Trump vai pôr os interesses nacionais à frente dos pessoais? Vocês sabem que não, o que faz com que ele seja perigoso para este país."

O senador da Califórnia evocou também um possível cenário em que Donald Trump corre desenfreado e ameaça a integridade do país. Como é que os republicanos iam responder quando o eleitorado perguntasse porque não o travaram a tempo?

Traçando um cenário mais otimista Schiff falou de história lembrando que os republicanos que votarem contra o presidente serão certamente lembrados ao longo dos tempos.

Neste momento ninguém sabe ao certo como vão votar os 5 republicanos mais indecisos. Não há qualquer indicação de que optaram por não seguir o partido, a maioria deles tem seguido os trabalhos atentamente e tomando notas. Alguns já manifestaram a disponibilidade para ouvirem mais testemunhas.

Há muito em causa neste processo. Por exemplo, Cory Gardner parece caminhar em direção a uma derrota eleitoral. Ele quer ser reeleito em novembro mas o Colorado está cada vez mais insatisfeito com a atual administração. Se ele se mostrar próximo de Trump pode ser prejudicado mas também não se pode dar ao luxo de afastar o eleitorado do presidente. É um equilíbrio difícil de alcançar. Susan Collins foi a única que, até agora, quebrou a disciplina partidária votando com os democratas numa mudança às regras deste julgamento. A mudança foi no entanto chumbada. Quanto a Mitt Romney foi derrotado numas presidenciais e pode querer ficar para a história. Uma posição de coragem em defesa do país pode garantir-lhe esse lugar.

No terceiro dia de trabalhos voltaram as acusações de que os senadores se estão a portar como crianças durante as sessões. Alguns já foram apanhados a dormir, a jogar e a desrespeitar outras regras do julgamento. Os objetos eletrónicos estão totalmente proibidos mas isso não tem impedido os senadores, republicanos e democratas, de encontrarem alternativas.

Jim Risch e Jim Inhofe já foram apanhados a dormitar. Richard Burr e Tom Cotton brincaram com fidget spinners. Marsha Blackburn foi vista a ler um livro e houve quem atirasse um avião de papel.

As regras obrigam os senadores a permanecerem no lugar mas na última sessão, nove democratas e 22 republicanos levantaram-se pode diversas vezes.

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