"Não afetará a qualidade do ar." Cientistas garantem que vulcão das Canárias representa baixo risco para o ambiente

Cientista chefe do serviço de monitorização atmosférica Copernicus explicou que está afastada, para já, a ocorrência de chuvas ácidas ou de degradação da qualidade do ar.

Há um grande consenso entre cientistas sobre o baixo risco imediato que o vulcão da ilha de Palma, nas Canárias, coloca para o ambiente nesta altura. A vigilância do sistema Copernicus, uma rede de satélites que monitoriza a atmosfera, no hemisfério norte, mostra uma concentração das emissões do vulcão a cerca de cinco quilómetros de altitude.

Mark Parrington, cientista chefe do serviço de monitorização atmosférica Copernicus, explicou que está afastada, para já, a ocorrência de chuvas ácidas ou de degradação da qualidade do ar.

"Estamos a seguir o caminho porque o satélite permite a medição de uma área mais longa. Nesta altura, a concentração de dióxido de enxofre faz-se a altitudes muito elevadas e, portanto, não afetará a qualidade do ar ou a meteorologia. A concentração está acima das nuvens e, por isso, o risco de chuvas ou de degradação da qualidade do ar é reduzida", explicou à TSF Mark Parrington.

A partir de Reading, em Inglaterra, onde funciona o centro de controlo do sistema Copernicus, Mark Parrington confirma que os ventos continuam a empurrar a mancha de dióxido de enxofre, a grande altitude, para França e para o centro da Europa.

"A última previsão mostra o transporte das emissões entre dois sistemas de altas pressões: um sobre o mediterrâneo e outro sobre o atlântico norte. Ou seja, os ventos estão a empurrar as emissões para França e para o Norte da Europa. Na previsão percebe-se que a coluna de dióxido de enxofre está a seguir esse percurso", afirmou o cientista chefe do serviço de monitorização atmosférica Copernicus.

No País de Gales, o geólogo Ricardo Ramalho, investigador da faculdade de ciências da Universidade de Lisboa, refere que o facto de um vulcão estar em atividade não implica que outro, distante, também entre.

"Está ligado apenas no sentido em que tem processos semelhantes na sua origem, não está ligado do ponto de vista de estar a haver uma erupção na Islândia e isso estar diretamente relacionado com as Canárias. Isto são processos que, embora tenham uma origem comum, não estão diretamente relacionados e, desse ponto de vista, não há que recear", esclareceu Ricardo Ramalho.

Na mesma linha, o especialista pede que não se pense que pode haver um efeito de contágio que leve a um aumento da sismicidade ou mesmo atividade vulcânica nos Açores. Sobre o La Cumbre Vieja, na ilha de Palma, o cientista diz que só por estimativa pode pensar-se na duração da atividade vulcânica.

"Olhar para o registo histórico, ver quanto é que duraram as erupções anteriores e, fazendo uma média, ter a ideia de qual é a probabilidade de duração desta erupção", acrescentou o especialista português.

Ricardo Ramalho entende que esta é uma erupção de pequena dimensão, apesar da visibilidade mediática que tem.

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