Navalny pede "nova estratégia" da UE para lidar com a Rússia

Navalny defende que a nova estratégia deverá englobar a atual abordagem de sanções da UE contra responsáveis russos.

O opositor russo Alexei Navalny pediu à União Europeia (UE) para que adote uma "nova estratégia" para lidar com a Rússia, que englobe outra abordagem na implementação de sanções e no reconhecimento de eleições naquele país.

Numa sessão de audiências na Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento Europeu (PE) dedicada à atual situação política e socioeconómica na Rússia - e que contou com a participação de Navalny e três outros opositores ao regime do Presidente russo, Vladimir Putin, - Navalny apelou a uma "nova estratégia" da UE que "trate o governo russo como uma 'cambada' de pessoas que se apoderaram temporariamente do poder".

"Acho que é altura de desenvolver uma nova estratégia, não apenas de corrigir a antiga, mas de desenvolver uma nova estratégia porque há um novo tipo de Estado russo completamente diferente daquele que tínhamos até há dois anos", sublinhou Navalny.

Segundo o opositor russo, a nova estratégia deverá englobar a atual abordagem de sanções da UE contra responsáveis russos que, nas palavras de Navalny, só visam "indivíduos tecnicamente culpados" por estarem por detrás dos crimes, mas que não "viajam pelo mundo, não têm bens imobiliários ou contas bancárias na Europa".

Navalny -- que foi envenenado em agosto na Sibéria com um agente nervoso do tipo Novichok -- apelou assim às autoridades europeias para que se "foquem no dinheiro".

"A UE tem de visar o dinheiro e, por isso, os oligarcas russos. (...) Enquanto o iate mais caro do Sr. Usmanov [um oligarca russo] continuar estacionado em Barcelona ou em Málaga, ninguém na Rússia, ou mesmo no Kremlin, irá levar a sério as sanções da UE, porque pensam que a Europa tem medo de aplicar sanções que visem o verdadeiro dinheiro", afirmou Navalny.

União Europeia "fiel aos seus valores"

Também Vladimir Kara-Murza, outro opositor russo ao regime de Putin, referiu que não quer que a UE "interfira nos desenvolvimentos políticos do país", mas que "se mantenha fiel aos seus valores".

"É altura de acabar com a hipocrisia que permite que pessoas que abusam, atacam, e minam as normas mais básicas da democracia e do Estado de direito no nosso país, depois venham para a UE e desfrutem dos benefícios, privilégios e oportunidades que essas mesmas normas [acarretam]", sublinhou Kara-Murza.

Navalny apelou ainda a que os responsáveis europeus reajam às eleições que tenham lugar na Rússia de uma maneira "muito simples", frisando que muitos dos opositores que procuram participar em sufrágios são "proibidos" ou "presos" por fazê-lo.

"Se deixarem toda a gente participar, então poderá haver mais discussões. Se as pessoas não puderem participar, então os resultados não deviam ser reconhecidos", frisou Navalny.

Também Vladimir Milov, antigo líder do partido Escolha Democrática, apelou a que os responsáveis europeus abordem a "questão central da legitimidade do governo russo".

"É preciso abordar esta questão em termos de 'branco ou preto': caso não haja verdadeira participação da oposição nas eleições, não há legitimidade, não há reconhecimento internacional do Parlamento russo e do Governo", frisou Milov.

A sessão de audiências na Comissão dos Assuntos Externos do PE foi organizada para abordar a situação socioeconómica e política na Rússia a 10 meses das eleições legislativas que estão convocadas para dia 19 de setembro de 2021, o mais tardar, e que Navalny qualificou de "acontecimento absolutamente crucial".

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