"Ninguém é ilegal." Protestos na Polónia contra rejeição de migrantes nas fronteiras

Sete pessoas já morreram na fronteira entre a Polónia e a Bielorrússia desde o início deste verão. Parlamento aprovou emenda que permite a rejeição mesmo em casos de pedido de asilo.

Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em Varsóvia contra a rejeição de migrantes praticada nas fronteiras da União Europeia, entre a Polónia e a Bielorrússia.

Desde agosto, milhares de migrantes, especialmente do Médio Oriente e de África, tentam cruzar a fronteira da Bielorrússia com a Polónia, enquanto este país os rejeita, escoltando-os de regresso para território bielorrusso, de acordo com a versão de organizações não governamentais (ONG).

Os manifestantes percorreram o centro da capital polaca, agitando cartazes com inscrições a criticar a postura do Governo face aos migrantes: "Parem a tortura na fronteira", "Ninguém é ilegal" ou "Hoje à noite alguém vai congelar até à morte na fronteira".

Desde o início do fluxo migratório na região, no início deste verão, sete pessoas já perderam a vida na fronteira oriental da União Europeia (UE).

Na quinta-feira, o parlamento polaco aprovou uma emenda à Lei de Estrangeiros que legaliza a prática da rejeição, mesmo em situações em que existem pedidos de asilo.

O parlamento também deu luz verde ao plano do Governo para construir um muro para impedir os migrantes de cruzarem a fronteira - um projeto estimado em 353 milhões de euros.

Muitas ONG têm criticado a Polónia por impor um estado de emergência na sua fronteira oriental, o que impede as organizações humanitárias de ajudar os migrantes e nega o acesso a todos os não residentes, incluindo jornalistas.

Bruxelas acusa Minsk de orquestrar este fluxo migratório, em retaliação às sanções impostas pela UE na sequência dos atos de repressão sobre a oposição ao regime do Presidente Alexander Lukashenko.

Os migrantes que chegam à Bielorrússia são encaminhados para as fronteiras da UE (com a Polónia, Letónia, Lituânia) e permanecem sob vigilância de guardas de fronteira bielorrussos e pelas autoridades polacas, lituanas ou letãs.

Há um mês, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) disse estar "preocupado com os relatos alarmantes" na fronteira polaca.

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