Nobel por Nobel: o Dia Mandela por Muhammad Yunus

No Dia Mandela, o Nobel da Paz 2006, Muhammad Yunus dá uma entrevista à TSF e a Academia de Líderes Ubuntu organiza uma conferência internacional. Virtual. Para construir pontes de inclusão. Reais.

Muhammad Yunus, 80 anos, economista e banqueiro no Bangladesh. Em 2006 foi laureado com o Nobel da Paz. Ficou conhecido como "o banqueiro dos pobres", criador da ideia do microcrédito através do Grameen Bank, que ofereceu ativamente microcrédito para milhões de famílias.

Recentemente, lançou uma campanha para que a vacina para a covid-19, quando finalmente chegar, seja para todos, universal, em vez de ficar como exclusivo ou propriedade dos países mais ricos.

O apelo de Yunus já foi assinado por personalidades como Desmond Tutu, Mikhail Gorbachev, Malala Yousafzai, Bono, Richard Branson, Lech Walesa, Lula, George Clooney, Sharon Stone, Mary Robinson, Anne Hidalgo, Andrea Bocelli, Rigoberta Menchu, Shirin Eibadi, Romano Prodi, Gordon Brown, Jeffrey Sachs, José Ramos Horta, entre muitos outros.

Muhammad Yunus, que dá este sábado uma grande entrevista à TSF no programa O Estado do Sítio (versão integral em podcast e em TSF.pt, mas igualmente no Diário de Notícias), é um dos participantes de renome numa conferência internacional on-line, virtual, que a Academia de Líderes Ubuntu, realiza este sábado para assinalar o Dia Mandela, que este sábado se celebra em todo o mundo. "Não é todos os dias que uma organização portuguesa consegue mobilizar 3 Nobel da Paz e oito chefes de estado e de governo", congratula-se Rui Marques.

O "Mandela Bridges World E-Summit", neste dia 18 de julho, é "um convite à construção ativa de pontes enquanto caminho para a paz" e terá entre os participantes, além do Nobel Muhammad Yunus, o laureado timorense José Ramos Horta e o indiano Kailash Satyarthi, laureado em 2014. Mas também a princesa Rym Ali da Jordânia, o antigo comissário europeu português Carlos Moedas, antigos chefes de estado da Eslovénia, Danilo Turk, da Bósnia (Mladen Ivanic), do Malawi (Joyce Banda), Finlândia (Tarja Halonen) ou a antiga chefe de governo neozelandesa, Helen Clark.

Um neto de Mandela participará no evento. Trata-se de Ndaba Mandela, líder da Fundação Africa Rising, considerado "um dos vinte oito homens mais influentes de África" e tido como "líder da mudança junto dos mais novos com a sua postura ativa e interventora", num percurso marcadamente inspirado no legado no avô. Ndaba integra o Conselho Pan-Africano da Juventude e é o embaixador mundial mais antigo da UNAIDS, agência especializada das Nações Unidas que faz campanhas de consciencialização sobre o HIV/AIDS.

O evento, que começa às duas da tarde, contará ainda com o testemunho de Kerry Kennedy, escritora e ativista pelos direitos humanos, filha de Robert F. Kennedy Human Rights, uma organização sem fins lucrativos de defesa dos direitos humanos.

Sobre Nelson Mandela, o "banqueiro dos pobres" Muhammad Yunus afirma na entrevista à TSF: "era uma pessoa fantástica. Eu conheci-o e tive a sorte de ter passado algum tempo com ele, várias vezes. Fui à comemoração dos 69 anos dele em Joanesburgo, como orador convidado. Houve uma grande reunião e ele estava sentado ao meu lado, discursei ao lado dele e foi transmitido na televisão nacional". Um ser de uma humanidade fora do comum, mas normal no trato: "era uma pessoa tão boa, quando uma pessoa se aproxima dele, ouvimos falar dele e dizem-nos que é um ser humano gigante, mas está ali como se fosse uma criança, um amigo. Fala contigo, narra as suas histórias, as coisas por que teve de passar, e sem qualquer tipo de amargura. Não havia amargura nele. Ele sorri e conta as coisas como lhe aconteceram. Por isso, tive muita sorte de ouvi-lo e ouvir as suas reflexões, as suas lembranças em várias ocasiões em que estive com ele em sua casa com sua esposa, Graça Machel, que é uma grande amiga. E depois, estive com ele nos Elders (Séniores), quando a organização foi criada, estive com ele no lançamento dessa aliança. Fui o primeiro presidente dos Elders, trabalhámos de forma muito próxima, partilhámos muitas ideias sobre o que poderia ser feito, qual poderia ser o papel dos Elders, etc, etc".

Yunus privou com Mandela sobretudo nos anos finais da vida do histórico líder sul-africano: "mesmo naquela idade, ele ainda era muito rápido em termos de pensamento e ideias que precisavam ser expressas e defendidas. E se não gostava de alguma ideia, imediatamente dizia como deveria ser feito. Vi-o em várias fases: quando era bastante saudável; depois quando a saúde começou a deteriorar-se mas a mente ainda estava muito ativa. Era um ser humano gigante, uma pessoa incrível, incrível". E continua a inspirar pontes de inclusão.

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