"O país é forçado a repetir eleições em novembro"

Pedro Sánchez reage a decisão do Rei de Espanha, que entende que nenhum candidato tem condições para formar Governo.

O Rei de Espanha, Felipe VI, decidiu esta terça-feira não propor o líder socialista, Pedro Sánchez, como candidato a ser reconduzido como primeiro-ministro, estando assim prestes a dissolver o parlamento e a marcar novas eleições para 10 de novembro.

Em reação à decisão do Rei, o chefe do Governo em funções marcou uma conferência de imprensa, esta terça-feira à noite, no Palácio da Moncloa, em Madrid.

"Acabou a ronda e o resultado é claro: não há maioria no Congresso e o país é forçado a repetir eleições em novembro. Deve ser lembrado que os espanhóis já falaram e falaram claramente em abril e maio. Para que o Governo do nosso país não seja condicionado pelos independentes, precisávamos da abstenção das forças conservadoras, do PP e dos Ciudadanos. Infelizmente os conservadores espanhóis têm pouco a ver com os conservadores europeus e optaram por se desenvolver. Tentei por todos os meios, mas eles tornaram isto impossível para mim", começou por dizer Pedro Sánchez.

Depois, Sánchez afirmou que tentou formar o Governo que acha que Espanha precisa perante os desafios que estão por vir, sublinhando que o país precisa de um Governo duradouro.

"Duas forças políticas conservadoras e uma força política de esquerda decidiram bloquear a formação do Governo. Os espanhóis disseram quatro vezes que Espanha quer percorrer um caminho de progresso e vamos pedir-lhes para o dizerem de forma ainda mais clara a 10 de novembro. É importante que não sejam geradas falsas expectativas. O senhor Iglesias está a caminho de um recorde. Nunca houve na Europa um partido de esquerda a vetar um Governo socialista quatro vezes em cinco anos. Espanha não precisa de um certo tipo de Governo, mas sim de um estável e duradouro. E de reconhecer a legitimidade da formação política que ganhou as eleições", explicou o líder do PSOE.

Quando questionado pelos jornalistas se os diversos partidos deviam pedir desculpa aos espanhóis pelo fracasso das conversações, Pedro Sánchez limitou-se a dizer que é "o representante da força mais votada".

"Espero que os espanhóis deem a maioria ao Partido Socialista, de modo a que não existam mais bloqueios a partir de 10 de novembro", acrescentou o chefe do Governo em funções.

Se a situação não se desbloquear nos próximos dias, o Rei de Espanha está constitucionalmente obrigado a dissolver o parlamento e a marcar eleições depois de segunda-feira, 23 de setembro, daqui a menos de uma semana.

Caso sejam marcadas eleições, as quartas nos últimos quatro anos, as sondagens indicam que tanto o PSOE como o PP (Partido Popular, direita) sobem na intenção de votos dos espanhóis, mas continuaria a haver dificuldade em formar um Governo estável, sem uma maioria clara de partidos de esquerda ou de direita.

Notícia atualizada às 21h09

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