"O que a Rússia vai fazer é uma ocupação delimitada. Depois vai parar e exigir negociações"

Está em curso uma operação militar russa na região de Donbass. Para o coronel Carlos Matos Gomes, entrevistado pelo jornalista Fernando Alves na Manhã TSF, as negociações exigidas pela Rússia vão passar pela "desmilitarização da Ucrânia" e o "estabelecimento de um acordo entre os EUA e a Rússia que obrigue a que a Ucrânia seja uma zona neutra".

O Presidente russo, Vladimir Putin, tem em andamento uma operação militar na região de Donbass. Há notícia de explosões em várias cidades ucranianas, incluindo na capital, Kiev, Mariupol e Odessa, junto ao Mar Negro. Entrevistado pelo jornalista Fernando Alves na Manhã TSF, o coronel Carlos Matos Gomes disse que há uma ideia clara sobre esta operação.

"Não se trata de uma invasão. Penso que a Rússia e Putin falou e apresentou os objetivos claramente no discurso. O que a Rússia pretende é que a Ucrânia seja desmilitarizada e não seja uma base de ataque à Rússia. E isto ele disse-o muito claramente", afirmou.

Para o coronel, "a questão está aqui a ser tratada com um discurso que tem aparecido nalguns responsáveis, misturando três coisas que não devem ser misturadas, que é misturar moral, política e o direito".

"Julgo que aquilo que a Rússia vai fazer é uma ocupação delimitada, depois parar, e exigir negociações. Essas negociações é a desmilitarização da Ucrânia e estabelecer um acordo entre os EUA e a Rússia que obrigue a que a Ucrânia seja uma zona neutral", considerou.

Nesta altura, Vladimir Putin sente que tem forças para exigir a desmilitarização da Ucrânia. O coronel Carlos Matos Gomes não evita a ironia quando fala da aplicação do direito internacional.

"A questão do direito internacional é sempre uma questão apreciada como um harmónio. O direito internacional aplica-se quando temos força para aplicá-lo. Isso é muito visível e foi muito visível na Segunda Guerra Mundial, porque só foram julgados os vencidos e agora quando se invoca o direito internacional está a associar-se a isso a moral. Não se deve fazer assim, mas toda a gente já fez assim", explicou.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou, esta quinta-feira, o início de uma operação militar, alegando que se destina a proteger civis de etnia russa nas repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia.

Num discurso televisivo, Putin disse que decidiu lançar a operação militar em resposta a ameaças de "genocídio" no leste da Ucrânia vindas das autoridades de Kiev, defendendo que a responsabilidade por um eventual derramamento de sangue é do "regime" ucraniano.

Poucas horas depois, foram registadas fortes explosões em pelo menos cinco cidades da Ucrânia, incluindo na capital, Kiev. Por volta das 03h00, foram registadas pelo menos duas explosões no centro de Kiev, tendo sido seguidas pelas sirenes de ambulâncias, segundo jornalistas da AFP.

A Ucrânia relatou pelo menos oito mortes e mais de uma dezena de feridos nas primeiras horas da invasão russa ao país, segundo o assessor do Ministério do Interior, Anton Gueraschenko.

"Uma mulher e uma criança ficaram feridas na região de Konopot, onde um carro se incendiou. Na cidade de Podolsk, na região de Odessa, há sete mortos, sete feridos e 19 desaparecidos como resultado do bombardeio. Na cidade de Mariupol, região de Donetsk, há um morto e dois feridos", relatou o responsável, na plataforma Telegram.

ACOMPANHE AQUI A ESCALADA DE TENSÃO ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de