OIM e ACNUR vão negociar ajuda humanitária com Polónia e Bielorrússia

As organizações humanitárias foram afastados da zona, declarada em estado de emergência, pelo que não tem sido fornecida assistência básica, como comida, alojamento, aquecimento ou cuidados médicos.

As agências da ONU para migrantes e refugiados vão iniciar, na próxima semana, negociações com a Polónia e a Bielorrússia para que seja permitida ajuda humanitária aos migrantes na fronteira, disse este sábado à Lusa o diretor-geral da OIM.

"Na semana que vem os diretores regionais - um sedeado em Viena e o outro em Bruxelas - irão, primeiro a Minsk e depois a Varsóvia, para insistir numa via de resolução do problema", afirmou à Lusa o líder da Organização Internacional das Migrações (OIM), António Vitorino.

Segundo avançou, os representantes das agências da ONU - OIM e Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) - nesses países "têm estado em contacto constante com as autoridades dos dois países", mas, até agora ainda não conseguiram obter acesso aos migrantes.

Milhares de migrantes e refugiados, sobretudo do Médio Oriente, mas também de países africanos, estão há semanas acampados sob um frio glaciar nas florestas bielorrussas junto à fronteira com a Polónia, na esperança de entrar neste país da União Europeia.

As organizações humanitárias, assim como os jornalistas, foram afastados da zona, declarada em estado de emergência, pelo que não tem sido fornecida assistência básica, como comida, alojamento, aquecimento ou cuidados médicos.

"A prioridade das prioridades é o acesso às pessoas: assistência humanitária imediata quer do lado da Bielorrússia, quer do lado da Polónia, que, até este momento, não nos foi garantida", sublinhou António Vitorino, lembrando que "as pessoas estão em condições extremamente difíceis".

Este sábado "houve um relato extremamente aflitivo de uma criança de um ano que morreu esta noite na floresta", lamentou, reiterando a "necessidade urgente de fornecer roupas quentes, mantas, comida quente e assistência humanitária imediata".

Apesar de reconhecer que a situação melhorou ligeiramente desde quinta-feira, "porque as autoridades bielorrussas transportaram uma parte muito significativa dos migrantes para um armazém onde, pelo menos, já não estão ao ar livre" e ao frio, o diretor-geral da OIM insiste na premência do acesso de organizações que possam ajudar.

"É isso que nós [OIM] e o ACNUR queremos fazer, estamos prontos para fazer e esperamos que nos próximos dias haja autorização para podermos fazer, em colaboração com a Cruz Vermelha, que também está envolvida nesta operação", afirmou.

Uma vez ultrapassada esta fase mais urgente, António Vitorino considera que terá de se tratar do futuro destes migrantes e admite que, para esse problema, "há várias opções".

Desde logo, "os migrantes em causa podem ter razões que os levem a pedir proteção internacional e, portanto, a solicitar asilo", quer na Polónia, quer na Bielorrússia.

A segunda via, que será a que a OIM espera poder ajudar mais, será o retorno voluntário aos países de origem.

"Temos tido alguns contactos indiretos com pessoas que nos dizem que, depois de passarem o que passaram e, tendo compreendido o logro em que caíram - que não há nenhuma porta de entrada aberta para a União Europeia -, pretendem regressar ao seu país", conta António Vitorino, lembrando que os repatriamentos até já começaram.

Na noite de quinta-feira para sexta-feira foi realizado "um primeiro voo com 400 migrantes que regressaram ao Iraque", referiu, adiantando considerar que "cerca de 70% das pessoas que estão envolvidas nesta situação são iraquianos oriundos do Curdistão" que terão "condições para regressar sem correrem riscos".

Sublinhando não querer entrar no conflito que tem oposto a Polónia e a União Europeia, por um lado, à Bielorrússia e Rússia, por outro, António Vitorino garante que irá dizer em Minsk exatamente o que dirá em Varsóvia.

"Não somos parte de nenhum debate político nem nos compete estar a interferir nesse diálogo que é muito confrontacional", sublinhou.

"O que dizemos em Minsk e o que dizemos em Varsóvia são duas coisas muito simples: primeiro, que é precisa assistência humanitária imediata" e, "depois, que estamos dispostos a ajudar as autoridades dos dois países para resolver a situação destas pessoas que estão bloqueadas na fronteira".

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