Organizadores dos protestos em Luanda falam em duas mortes e 387 desaparecidos

Cidadãos identificados por 'Mamã África' e Marcelina Joaquim terão morrido "baleados" durante os protestos.

Os organizadores da manifestação reprimida pela polícia angolana no sábado passado dizem que duas pessoas morreram, mais de 50 ficaram feridas e das 500 desaparecidas, 387 continuam com paradeiro incerto.

A informação foi avançada esta quarta-feira pelos promotores da marcha, que tinha como objetivo reclamar sobre as difíceis condição de vida da população e apontar uma data para a realização das primeiras eleições autárquicas de Angola, previstas para este ano e entretanto adiadas, por falta de condições, entre as quais a pandemia de covid-19.

O relatório da manifestação, divulgado hoje em conferência de imprensa, refere que morreram "baleados" durante os protestos, os cidadãos identificados por 'Mamã África' e Marcelina Joaquim.

Segundo José Gomes Hata, um dos promotores da manifestação, mais de 50 cidadãos foram brutalmente agredidos e feridos, entre os quais os ativistas Geraldo Dala, que foi gravemente ferido na cabeça, tendo levado dez pontos, o secretário da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola, maior partido da oposição) no Mussulo, partido político que apoiou a manifestação, que foi alvejado no braço direito, e Dito Dalí, "que foi selvaticamente espancado e perdeu os sentidos".

Um dia após a manifestação, os organizadores percorreram as principais esquadras policiais de Luanda para localizar os cidadãos que se encontram desaparecidos e apenas localizaram 41 detidos na Direção Provincial de Investigação Criminal, 45 na 9ª esquadra do distrito urbano do Sambizanga e 18 na esquadra do bairro Uíge, no distrito urbano do Ngola Kiluanje, perfazendo um total de 103 cidadãos, número confirmado pelas autoridades.

José Gomes Hata referiu que a detenção de 103 manifestantes, que estão a ser julgados, é ilegal e arbitrária, afirmando que estes estavam a exercer o direito constitucionalmente consagrado de reunião e manifestação.

A organização considerou igualmente ilegal e arbitrária a detenção de jornalistas durante a manifestação, sustentando também se encontravam no exercício da liberdade de imprensa e no direito à informação.

"As detenções dos mesmos não só pressupõem um desrespeito pelos direitos e liberdades fundamentais como também um autêntico desrespeito pelo Estado de Direito e democrático por parte das autoridades angolanas", refere o relatório.

A organização "não só exige a libertação imediata e incondicional de todos os cidadãos que se encontram detidos, como também imputa a responsabilidade ao Presidente João Lourenço, sobre o paradeiro dos cidadãos angolanos desaparecidos".

No documento, os promotores declarar que continuarão a protestar até verem garantidos os seus direitos e enquanto não forem atendidas as suas exigências.

"Assim, gostaríamos de felicitar a bravura e coragem demonstrada pelos cidadãos que conseguiram resistir à violência policial. Igualmente felicitar os partidos políticos que atenderam ao convite e se juntaram à causa pela cidadania", salienta o relatório.

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