Pilotos ucranianos na Polónia para recolherem caças europeus doados

Armas letais e material de proteção, entre outros equipamentos, também serão entregues à Ucrânia.

Pilotos ucranianos já chegaram à Polónia para recolherem os aviões de combate cedidos por países europeus, para apoiarem a Ucrânia na luta contra a invasão das forças russas, noticiou na segunda-feira o site Politico.

Fonte do Governo ucraniano confirmou ao portal de notícias a presença de pilotos ucranianos na vizinha Polónia para assumirem o controlo dos aviões de combate doados pelos países europeus.

A transferência de aviões mais antigos, fabricados na Rússia para serem usados no combate dos ucranianos contra as forças russas, é o momento mais significativo na onda de apoio demonstrado por vários países nas últimas 24 horas, salienta o Politico.

Outros equipamentos, incluindo armas letais e material de proteção, também vão ser entregues à Ucrânia.

Apesar de não ser claro quais os países que doaram os caças, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, tinha assegurado no fim de semana que os aviões de combate iam ser transferidos de vários países.

Na segunda-feira, o parlamento ucraniano tinha divulgado, através da rede social Twitter, que a Europa ia enviar 70 aviões de combate para a Ucrânia, incluindo 28 MiG-29 da Polónia, 12 da Eslováquia e 16 da Bulgária, juntamente com 14 Su-25 da Bulgária.

Polónia, Bulgária e Eslováquia ainda detêm aviões de fabrico russo, semelhantes aos usados pela Força Aérea ucraniana, o que facilitaria a habituação dos pilotos.

O chefe da diplomacia europeia assegurou que a mobilização e entrega de armamento à Ucrânia, debatida na segunda-feira pelos ministros da Defesa da UE, está bem encaminhada, mas escusou-se a adiantar detalhes, pois "a Rússia gostaria muito" de os conhecer.

"A nível de mobilização de recursos, está tudo bem encaminhado. A entrega requer uma logística importante que os Estados-membros têm de organizar, e tem de ser feita rapidamente. Mas nós estamos numa guerra e não vou dar nenhuma informação que possa servir à parte que enfrentamos. Estou certo de que a Rússia ficaria muito contente ao saber por onde e como vai passar a ajuda que vamos dar" ao exército ucraniano para se defender, disse Josep Borrell.

O Alto Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa e de Segurança falava numa conferência de imprensa, em Bruxelas, após uma videoconferência de ministros da Defesa dos 27, realizada para discutir a nível "mais técnico" a aplicação do histórico pacote de apoio de 450 milhões em armamento para a Ucrânia acordado na véspera pelos ministros dos Negócios Estrangeiros.

Nas mesmas declarações, Borrell lembrou que Moscovo já avisou que atacará "qualquer pessoa ou entidade que transporte essa ajuda", pelo que se escusou a avançar com "qualquer detalhe que lhes possa ser útil".

Borrell, que na véspera agradecera à Polónia ter-se oferecido como hub logístico para a transferência da assistência material à Ucrânia, limitou-se a dizer que, "naturalmente", a mesma "passará por países que têm fronteira com a Ucrânia, isso não é segredo", e adiantou que foi decidido criar uma célula, que trabalhará em coordenação com a NATO, para acompanhar "os pedidos e necessidades da Ucrânia" e o encaminhamento do armamento, que inclui material defensivo, designadamente antitanques, e armas e munições de todos os calibres.

A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já mataram mais de 350 civis, incluindo crianças, segundo Kiev. A ONU deu conta de mais de 100 mil deslocados e quase 500 mil refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a "operação militar especial" na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de a Rússia se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções para isolar ainda mais Moscovo.

ACOMPANHE AQUI TUDO SOBRE O CONFLITO ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de