"Potencial de haver incidentes é grande." Portugueses no Líbano pedem plano de contingência

Em entrevista à TSF, a embaixadora portuguesa não residente no Líbano revelou o cansaço sentido pela população libanesa e admitiu que há hipóteses fortes de conflito armado.

A embaixadora portuguesa não residente no Líbano, Manuela Bairos, revela que os portugueses no país estão ansiosos e querem um plano especial pata o caso de a situação política e social no Líbano se descontrolar.

Entrevistada pela TSF, Manuela Bairos admite que criar uma rede de apoio para os portugueses, caso haja mais algum "contratempo", é uma preocupação que é necessário ter, até porque a situação atual no Líbano apresenta um "grande potencial de violência".

"O potencial de haver incidentes é grande, porque há armas e o Líbano é um Estado com intervenção mínima", explica a embaixadora. "É essa uma das grandes reivindicações, que haja um Estado mais interventivo, mais moderno e que proporcione aos seus cidadãos saúde, educação, segurança. Mas ainda há muitos fenómenos de milícias, isso ainda são consequências de uma guerra civil que acabou há duas décadas."

Sabendo-se que as toneladas de nitrato de amónio que provocaram as explosões iam, antes de ficarem retidas no porto de Beirute, para uma companhia que pertence a uma empresa portuguesa, em Moçambique, poderá o Estado português ter de apresentar justificações às autoridades libanesas? Manuela Bairos considera que não.

"De todo. Sei que está a haver um inquérito que foi entregue às autoridades judiciais. Há imensas teorias sobre porque havia nitrato de amónio, para que é que servia. Mas não estou a ver que tenhamos nenhuma intervenção. Portugal, não", declara.

Com mais de 160 mortos, 6000 feridos e 300 mil pessoas sem casa, devido às recentes explosões, a embaixadora portuguesa defende que "seria muito importante que toda solidariedade e apoio concreto fossem dados ao Líbano, neste momento".

"A comunidade internacional deveria dar um sinal de que o Líbano é, de facto, um país muito importante", afirma, sublinhando que é precisão ação prática e que a ajuda não se pode resumir a conjunto de boas intenções.

"Embora sejam um povo resiliente, muito habituado a estas crises e a guerras, sinto que as pessoas estão muito cansadas", desabafa.

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