"Preconceito ideológico." China ataca EUA por boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno

Os Jogos Olímpicos de Inverno realizam-se em Pequim, entre 4 e 20 de fevereiro. Os EUA justificam a ausência dos diplomatas, pela violação dos direitos humanos, genocídio e crimes contra a humanidade em Xinjiang.

A China responde, ao ataque, com duras críticas, ao boicote diplomático, anunciado pelos Estados Unidos, aos Jogos Olímpicos de Inverno. O antigo embaixador chinês no Reino Unido Liu Xiaoming acusa os norte-americanos de hipocrisia, manipulação política, num "travesti do espírito olímpico" e "preconceito ideológico".

Para a China, trata-se de uma "grave caricatura de espírito olímpico, uma provocação flagrante e uma séria afronta" aos quase 1,5 mil milhões de chineses. A violenta reação surgiu no Twitter, por parte do antigo embaixador da China no Reino Unido.

Liu Xiaoming sublinha que os Jogos Olímpicos não são nem devem ser palco de posturas e manipulações políticas.

O diplomata acrescenta que o boicote diplomático anunciado pelos EUA só vai fazer com que os chineses e o mundo percebam com clareza a "hipocrisia e natureza anti-China dos políticos norte-americanos".

Outros diplomatas de Pequim tinham já criticado a decisão dos EUA, garantindo que os norte-americanos nem sequer tinham sido convidados para os Jogos de Inverno, marcados para fevereiro.

É um ato "pretensioso", acusa ainda a China, mas o exemplo dos EUA pode ser seguido por outros países. A Nova Zelândia confirmou nas últimas horas que também não vai enviar diplomatas aos Olímpicos de Inverno. O vice-primeiro ministro Grant Robertson explicou que a decisão tem que ver, sobretudo, com as restrições às viagens, por causa da pandemia, mas não deixou cair a questão dos direitos humanos: "Dissemos claramente à China, em várias ocasiões, que estamos preocupados com a questão dos direitos humanos. A primeira-ministra já o referiu. Por isso, eles sabem muito bem o que pensamos sobre direitos humanos, mas já tínhamos tomado a decisão."

O presidente do Comité Olímpico Português percebe o boicote diplomático dos EUA. José Manuel Constantino sublinha que o desporto é indissociável da vida política.

"Compreendo perfeitamente que, no âmbito de um contexto desportivo, essa questão política seja interrogada e que haja pressão sobre a China para encontrar um sentido diferente sobre a forma como tem tratado essa comunidade", afirma, em declarações à TSF. "O desporto é uma expressão da vida das comunidades, tem uma dimensão política, não é possível ignorarmos essa relação", explica.

No caso de Portugal, José Manuel Constantino lembra que não costuma haver muitos atletas nacionais nos Jogos Olímpicos de inverno. Por tradição, os diplomatas portugueses também não marcam presença.

"Por norma, não há participação diplomática portuguesa aquando da realização dos Jogos Olímpicos de inverno, apenas na sua expressão de verão. Creio que o problema nem se vai por", considera, sublinhando que, nesta edição, caso sejam apurados atletas portugueses, "será apenas uma delegação desportiva, à semelhança daquilo que irá ocorrer com a maioria dos outros países, incluindo os EUA".

Além da Nova Zelândia e dos EUA, a Lituânia anunciou, na semana passada, que nem o Presidente nem o Governo estarão nos Jogos de Inverno. O Reino Unido, o Canadá e a Austrália fizeram saber que estão a ponderar a decisão.

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