Presidente dos EUA preocupado com "brutalidade" contra asiáticos americanos

Oito pessoas, a maioria mulheres de ascendência asiática, foram mortas numa série de tiroteios em Atlanta.

O presidente norte-americano, Joe Biden, afirmou na quarta-feira estar preocupado com a "brutalidade" de ataques contra asiático-americanos no país, na sequência de vários incidentes recentes que vitimaram membros desta comunidade.

Biden reagia ao homicídio de oito pessoas em salões de massagens asiáticos da cidade de Atlanta, cujo autor confesso afirma não terem tido motivação racista, enquanto o xerife o descreveu como provável viciado em sexo.

"Seja qual for a motivação neste caso, eu conheço os asiático-americanos, sei que eles estão muito preocupados, e, como sabem, tenho falado sobre a brutalidade contra os asiático-americanos, que é preocupante", disse o presidente norte-americano.

Biden adiantou ter falado hoje com o procurador-geral e com o diretor do FBI, que lhe afirmaram que ainda está a ser determinado o motivo do crime.

Durante a pandemia, aumentaram de forma exponencial os ataques contra asiático-americanos, sobretudo mulheres, o que alguns especialistas atribuem ao discurso anti-China, nas redes sociais e até promovido pela anterior administração norte-americana - o ex-presidente Donald Trump referiu-se sempre à covid-19 como o "vírus da China".

Segundo a associação Stop AAPI Hate, entre março e dezembro do ano passado, foram denunciados 'online' mais de 2.800 atos racistas e discriminatórios contra a comunidade asiática nos Estados Unidos.

No seu discurso da semana passada que marcou o aniversário do confinamento devido à covid-19, Biden já havia criticado os crimes contra asiáticos americanos, que disse serem "atacados, perseguidos, culpados e bodes expiatórios" da pandemia.

O autor do ataque de Atlanta, de 21 anos, que foi identificado como Robert Aaron Long, "afirma ter agido sem um motivo racista", disse um responsável da polícia local em conferência de imprensa, acrescentando que o jovem "assumiu a responsabilidade" pelos três tiroteios que mataram seis mulheres de ascendência asiática e duas outras pessoas.

O suspeito, que foi detido durante a noite a cerca de 250 quilómetros a sul de Atlanta, dirigia-se para a Florida, possivelmente para realizar outros tiroteios, adiantou, entretanto, o xerife, referindo que o alvo era "a indústria pornográfica" daquele estado.

"Temos visto um aumento dos crimes de ódio contra os norte-americanos de origem asiática desde o início da pandemia" de covid-19, afirmou hoje a congressista que representa a Geórgia no Câmara dos Representantes, a asiática Bee Nguyen.

"É difícil pensar que [estes crimes] não têm como alvo específico a nossa comunidade", acrescentou.

A polícia de Atlanta e de outras grandes cidades lamentou os assassinatos, afirmando que vai aumentar o patrulhamento nas comunidades asiático-americanas.

"A violência em Atlanta foi um ato de ódio", disse o presidente da câmara de Seattle, enquanto a polícia de São Francisco escrevia, na rede social Twitter, o 'hashtag' [palavras-chave ou termos associados a uma informação, tópico ou discussão que se deseja indexar de forma explícita nas redes sociais] #StopAsianHate.

Também o ex-Presidente norte-americano Barack Obama lamentou que "mesmo enquanto se luta contra a pandemia, continua-se a negligenciar a epidemia de violência armada na América".

Embora reconheça que o motivo do atirador não é conhecido, Obama adiantou que "a identidade das vítimas mostra um aumento alarmante da violência anti-asiática, que deve acabar".

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul adiantou, em comunicado hoje divulgado, que os seus diplomatas em Atlanta confirmaram à polícia que quatro das vítimas mortas eram mulheres de ascendência coreana, estando o consulado-geral a tentar confirmar a nacionalidade das mulheres.

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