Presos na própria casa para fugir do coronavírus. Relato de um português em Wuhan

A cidade chinesa de Wuhan está em quarentena, mas os supermercados já estão a ser reabastecidos.

Na cidade de Wuhan, epicentro do surto de coronavírus, a palavra que melhor descreve o quotidiano é "isolamento". João Pedrosa, diretor técnico de uma empresa alemã de tecnologia a viver na cidade chinesa, foi uma das milhares de pessoas que nos últimos dias optou por ficar em casa, à espera. Em declarações à TSF, o português conta que das janelas de sua casa não se vê ninguém. Só esta segunda-feira, parece haver mais pessoas na rua, com sacos de compras, ainda que pequenos, obrigadas a sair para comprar mantimentos.

João Pedrosa ainda tem comida para "mais alguns dias", pelo que vai manter-se em casa. Sente-se preso, mas devido ao surto de surto de coronavírus que já matou pelo menos 80 pessoas na China, e infetou outras 2.744 pessoas, não equaciona sair sem ser absolutamente necessário.

"Não vou arriscar, deixo-me ficar quieto. Mas é uma sensação de prisão estranha", conta.

João Pedrosa mantém-se em contacto com outros portugueses na cidade e com as autoridades. Se o vírus continuar a afetar o país admite aceitar a proposta da embaixada portuguesa para proceder a uma evacuação.

Num esforço para conter o vírus, o Governo chinês ampliou, no sábado, o cordão de saúde em torno de Wuhan, que agora inclui quase 20 cidades, com a consequência de isolar uma população de 56 milhões de pessoas.

Foram também reportados casos de infeção em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, França, Austrália e Canadá.

À TSF, o Ministro dos Negócios Estrangeiros admite retirar portugueses de Wuhan, onde vivem cerca de 20 portugueses, e de outras regiões da China.

Augusto Santos Silva revela que está também em contacto com outros países europeus para, "se for necessário, e sendo possível, proceder a operações coordenadas de evacuação".

O Governo português desaconselha "viagens não essenciais" à China e pede a quem está no país que siga os conselhos das autoridades locais.

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