Primária da esquerda procura um único candidato para presidenciais francesas

Já são mais de 325 mil militantes, mas a primária da esquerda continua a receber todos os dias milhares de inscrições.

A primária da esquerda para eleger um único candidato de esquerda decorre para a semana, entre os dias 27 e 30 de janeiro, e já conta com mais de 325.000 inscrições. Os militantes continuam a acreditar nas cores da esquerda, apesar de muitos candidatos já estarem a pensar no depois das presidenciais de 10 e 24 de abril.

Por agora são 325.000 militantes, mas a primária da esquerda continua a receber todos os dias milhares de inscrições para escolher entre sete personalidades um candidato para representar a esquerda francesa nas eleições presidenciais.

O historiador e especialista em política francesa Jean Garrigues acredita que os militantes estão desiludidos com a divisão que vive a esquerda. "Esta primária à esquerda serve para que os eleitores, e sobretudo os militantes de esquerda, possam exprimir frustrações quanto à divisão das cores políticas. Os militantes de esquerda procuram fazer existir uma esquerda cujos candidatos, exceto Jean-Luc Mélenchon, não estão a apostar na eleição de 2022 - sabendo que este escrutínio está perdido. São candidatos que estão a apostar no depois", aponta o historiador.

Esta semana fica marcada pelo discurso de Emmanuel Macron no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. "Lembro que aqui não estou na campanha francesa", afirmou o chefe de Estado francês, no discurso inaugural da presidência do Conselho Europeu.

A candidata da União Nacional Marine Le Pen apresentou a candidatura ao Eliseu num vídeo gravado no museu do Louvre, onde Emmanuel Macron festejou a vitória contra a concorrente Le Pen em 2017. A candidata de extrema-direita espera reativar o duelo com o presidente, apesar dos novos rivais.

Como novo rival, o candidato também de extrema-direita Eric Zemmour, que esta semana foi condenado a 10 mil euros de multa por incitamento ao ódio contra migrantes menores. O candidato vai recorrer da decisão.

"Mostrar em larga escala a visão da França insubmissa" foi assim que se projetou Jean Luc Mélenchon num comício com a nova geração, em Nantes. Neste último sprint para a presidencial, o candidato tentou mostrar uma candidatura "inovadora", descreve Bruno Cautrès, investigador do Centro nacional de investigação científica, CNRS.

"Foi um comício verdadeiramente impressionante com demonstrações técnicas, com inovação e com produção de imagens incrível. Assistimos a um grande momento de comunicação política e de saber construir um comício e haverá, sem dúvida nenhuma, um antes e depois do comício de Nantes na campanha de Jean-Luc Mélenchon", descreve o investigador.

Perante a fragilidade da esquerda francesa, o antigo ministro socialista Arnaud Montebourg anunciou na quarta-feira que retira a candidatura às presidenciais, sem apoiar qualquer outro candidato nas eleições presidenciais de 10 e 24 de abril deste ano.

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