Racismo nos EUA: A cor que nos separa

Vista por milhões nas redes sociais, a morte de George Floyd fez os Estados Unidos mergulharem na maior onda de protestos antirracismo das últimas décadas. Serão os polícias racistas? Seremos todos racistas?

"A 4 de fevereiro de 1999, o meu filho morreu inocentemente com 41 tiros e 19 balas nele. A policia veio atrás do meu filho. Eles acharam que algo estava a acontecer e dispararam 41 tiros contra Amadou. Amadou morreu no momento." A história de Kadiatou Diallo é antiga, mas não é uma história singular. É também a história de muitas outras mães afro-americanas. A das 1252 mães que, só nos últimos cinco anos, perderam o filho devido a ação policial.

Nos Estados Unidos, a polícia mata mais de mil americanos por ano, 17% dos quais desarmados. E um número desproporcional das mortes são de afro-americanos. Apesar de os negros comporem apenas 13% da população americana, um homem negro é três vezes mais propenso a ser vítima de violência policial do que um homem branco.

Este ano, contam-se já mais de 500 pessoas mortas por agentes policiais. Contudo, muito poucos agentes foram penalizados pelas suas ações. Menos de 5%. Porquê? O dedo é apontado ao poder detido pelos sindicatos da polícia, acusados de influenciar o poder político e judicial.

Existem, nos Estados Unidos, 18 mil sindicatos e uniões não federais que representam 700 mil polícias. Para além da proteção da profissão, combatem a influência dos ativistas anti-polícia, oferecem apoio legal a agentes com processos legais, garantem muitos dos salários dos policias suspensos e mantêm vários registos de má conduta em segredo.

"Os agentes de segurança não têm como alvo os afro-americanos. As estatísticas não o comprovam. Desde a morte de George Floyd em Minneapolis que, nos Estados Unidos, tem havido um ressurgimento destas acusações de que os polícias estão a perseguir e a matar especialmente homens jovens negros desarmados. Isso é falso e, honestamente, é insultuoso. Das mil pessoas que matamos todos os anos, 95% - e isto é consistente todos os anos - atacaram-nos com algum tipo de arma. Habitualmente, uma arma de fogo. E é com isto que os oficiais têm de lidar", justifica Betsy Smith, porta-voz da Associação Nacional de Policias.

A morte de George Floyd colocou a palavra racismo nas bocas do mundo. Mas, afinal, porque somos nós racistas? A TSF mergulhou nos protestos contra o racismo nos Estados Unidos, ouviu especialistas e organizações, polícia e mães que perderam os filhos fruto de violência policial perante uma América dividida.

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